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Comunicação

Projeto liderado pela Engenharia Florestal da UFERSA recupera nascente do Rio Potengi

Pesquisa 7 de outubro de 2026. Visualizações: 18. Última modificação: 07/10/2026 15:35:51

Trabalho é coordenado pelas professoras Ane Cristine e Gabriela Salami, do curso de Engenharia Florestal da UFERSA. O projeto também tem apoio institucional da UFRPE e da UFCG/Foto: Cedida

Um projeto coordenado por engenheiras florestais e doutoras em Ciências Florestais, com participação direta da Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA), está promovendo a recomposição da Área de Preservação Permanente (APP) da nascente do Rio Potengi, no município de Cerro Corá, no Rio Grande do Norte. A iniciativa busca recuperar a vegetação nativa da Caatinga, proteger a nascente e contribuir para a conservação da bacia hidrográfica potiguar.

O trabalho é coordenado pelas professoras Ane Cristine Fortes Silva e Gabriela Salami, do curso de Engenharia Florestal da UFERSA. A execução em campo conta com bolsistas e voluntários do curso, além de um professor e um técnico supervisor. O projeto também tem apoio institucional da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) e da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG).

A recuperação da área ocorre diante do processo de degradação da vegetação e de exposição do solo nas proximidades das cabeceiras do Potengi, associado a atividades humanas e ao crescimento de visitas turísticas de forma desordenada. O plano foi estruturado com o objetivo de promover a restauração ecológica e a formação, no médio e longo prazo, de um ecossistema equilibrado, favorecendo a regeneração de espécies nativas da Caatinga.

Técnica para o Semiárido – Desde a primeira etapa de campo, realizada em março deste ano, foram plantadas 930 mudas. Outras 500 deverão ser introduzidas até fevereiro de 2027. O plantio contempla tanto áreas completamente sem vegetação quanto trechos que já apresentam processo de regeneração mais avançado.

Entre as espécies utilizadas estão baraúna, aroeira, craibeira, angico, catingueira, mulungu e jurema-preta. Até o momento, a taxa de sobrevivência das mudas chega a 96%, índice considerado expressivo diante das condições de aridez e escassez hídrica da Caatinga. Em projetos convencionais de restauração de áreas degradadas no bioma, o índice histórico de sobrevivência informado no material varia entre 30% e 40%.

Para alcançar esse resultado, a equipe adotou procedimentos específicos para as condições do semiárido, incluindo análise físico-química do solo, aplicação de adubação orgânica, calagem e adubação química balanceada. Também foram utilizados hidrogel para retenção de umidade junto às raízes e sistemas de tutoramento individual das mudas.

O projeto inclui ainda ações preventivas contra formigas cortadeiras, com uso de bioiscas orgânicas, além de monitoramento permanente. Aerolevantamentos com drones e vistorias periódicas são utilizados para acompanhar a cobertura do solo e a regeneração natural da área.

Investimento e impacto para o Rio Grande do Norte

Equipe atuando no campo/Foto: Cedida

 A iniciativa conta com investimento de R$ 239 mil, distribuído ao longo de 24 meses de execução, por meio de parceria entre o Governo do Rio Grande do Norte, através da Secretaria de Estado do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos (SEMARH), e a Fundação para o Desenvolvimento da Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado do Rio Grande do Norte (FUNCITERN).

Além da recuperação ambiental, a recomposição da APP da nascente possui importância social e econômica para a região. A preservação do local contribui para a manutenção do ecoturismo em Cerro Corá, fortalece os fluxos relacionados ao Geoparque Seridó e ajuda a proteger a renda de produtores rurais que comercializam produtos como mel, castanha e maracujá.

Para a professora Gabriela Salami, a atuação no local reúne conhecimento científico e técnicas específicas para enfrentar as condições ambientais do semiárido, ao mesmo tempo em que contribui para a formação de estudantes de Engenharia Florestal envolvidos diretamente nas atividades de campo.

O projeto também prevê uma campanha de educação e sensibilização ambiental, com distribuição de cartilhas destinadas a estudantes, moradores e turistas. A proposta é ampliar a conscientização sobre o manejo sustentável e a necessidade de preservação dos recursos hídricos do Rio Grande do Norte.

A experiência na nascente do Potengi combina pesquisa, formação acadêmica, recuperação ambiental e investimento público, apontando para estratégias de restauração da Caatinga adaptadas às condições do semiárido potiguar.