A Pinacoteca da UFERSA recebe, a partir de 1º de outubro, a exposição fotográfica documental “Invisíveis – CEP Não Encontrado”, uma promoção do Banco do Nordeste Cultural. A mostra permanece aberta à visitação até 28 de outubro e propõe uma reflexão sobre pessoas e realidades que, embora estejam presentes no cotidiano das cidades, muitas vezes são ignoradas ou vistas apenas a partir de estigmas.
Proposta pelos artistas Edson Saraiva e Lucas Saraiva, a exposição lança um olhar sensível sobre duas populações frequentemente invisibilizadas: pessoas em situação de rua e adolescentes em cumprimento de medidas socioeducativas. Em realidades distintas, os dois grupos compartilham experiências marcadas pela exclusão, pela ausência de pertencimento e pela negação cotidiana de direitos fundamentais.
O título da mostra parte de uma provocação. A cidade possui CEP para ruas, bairros, empresas e condomínios, mas há pessoas que parecem não possuir sequer um endereço simbólico. Nesse sentido, “CEP Não Encontrado” funciona como uma metáfora da exclusão social e questiona: quem não possui CEP também deixa de existir?
A fotografia documental é utilizada como linguagem artística para provocar reflexões sobre dignidade humana, preconceito, cidadania e direito à cidade. A proposta é estimular o público a enxergar pessoas onde muitas vezes são vistos apenas problemas ou estigmas.
A exposição reúne aproximadamente 40 fotografias autorais, além de relatos, objetos, sons e narrativas. As imagens são acompanhadas por pequenos textos, sem a identificação das pessoas retratadas. No lugar do nome, aparecem informações como “CEP: NÃO ENCONTRADO”, “Idade: aproximadamente 17 anos” e “Profissão: Sobrevivente”. A opção busca produzir impacto e provocar a reflexão do visitante.
A experiência expositiva está organizada em três núcleos. “A Cidade que Não Vê” apresenta fotografias urbanas nas quais pessoas passam sem perceber outras pessoas, acompanhadas pelo som ambiente da cidade. “Invisíveis” reúne retratos em preto e branco, com olhar direto, pouco texto e silêncio. Já o núcleo “Esperança” apresenta fotografias coloridas, expressões de arte, oficinas, leitura, teatro e projetos de vida, mostrando que ninguém é apenas sua vulnerabilidade.
Durante o período da exposição, estão previstas ações formativas, como rodas de conversa, visitas mediadas, oficinas de fotografia documental, palestra sobre direitos humanos e encontro com artistas. Também será produzido um catálogo digital, disponibilizado por meio de QR Code durante a visitação. Para os artistas, a exposição pretende mostrar, por meio da arte com a proposta amplia o olhar para situações de poluição, abandono, descaso, além de pessoas e animais que são ignorados e transformados em invisíveis no cotidiano.
Com visitação gratuita, “Invisíveis – CEP Não Encontrado” utiliza a arte como instrumento de sensibilização coletiva, aproximando diferentes públicos de histórias e realidades frequentemente reduzidas a estatísticas ou estigmas e estimulando a reflexão sobre desigualdade, direitos humanos e dignidade.