
Abertura SEMEPRO em comemorativa aos 20 anos da Engenharia de Produção na UFERSA foi prestigiada pelos docentes e discentes/Eduardo Mendonça
A VI Semana de Engenharia de Produção da Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA) teve início nesta segunda-feira, 14, com uma programação especial em comemoração aos 20 anos do curso na Universidade. A abertura foi marcada pela palestra “Hidrogênio Verde e Neo Industrialização do Estado do RN”, ministrada pelo professor da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Mário Gonzalez.

Professor Mário Gonzalez, da UFRN, abordou potencial da energia verde no RN/Foto: Eduardo Mendonça
Ao abordar as transformações provocadas pela transição energética e as novas demandas da sociedade, o professor destacou o papel que os engenheiros de produção podem desempenhar diante das oportunidades relacionadas ao hidrogênio verde.
“Todo engenheiro de produção precisa inovar, precisa se modificar em função das vertentes que demanda a sociedade”, afirmou Mário Gonzalez. Segundo ele, a transição energética, impulsionada pelas mudanças climáticas, amplia o campo de atuação desses profissionais.
Para o professor, as possibilidades não estão restritas à geração de eletricidade destinada à produção de hidrogênio. “O tema do hidrogênio verde é uma oportunidade para que os profissionais, como engenheiros de produção, atuem não somente na geração de eletricidade para gerar hidrogênio, mas sim nas aplicações que o hidrogênio verde tem para diferentes produtos, como aço verde, fertilizante verde, combustíveis verde, plástico verde”, explicou.
Gonzalez também destacou que toda essa cadeia produtiva poderá demandar profissionais de diferentes áreas, entre elas a Engenharia de Produção.

Litoral do RN pode ganhar Porto Indústria Verde/Foto: Assecom
Oportunidades – Durante a palestra, o professor da UFRN também abordou as perspectivas relacionadas à implantação de uma nova infraestrutura portuária no Rio Grande do Norte, com estudos que apontaram a região de Caiçara do Norte como uma localização adequada para um porto voltado, entre outras possibilidades, ao processamento e à exportação de produtos associados às energias renováveis.
Segundo Gonzalez, a UFRN foi proponente da iniciativa e coordenou um estudo sobre a localização do empreendimento, que contou também com a participação de especialistas da Dinamarca e do Reino Unido. “Com um estudo que foi feito pela UFRN, no qual coordenei, foi identificado que a melhor localização seria essa parte de Caiçara do Norte”, afirmou.

RN é rico em energia renovável/Foto: Assecom
O professor ressaltou ainda o potencial energético do Rio Grande do Norte e a possibilidade de agregar valor à produção de energia renovável no Estado. “O estado do Rio Grande do Norte gera eletricidade renovável, mais de 12 GWh (Gigawallt-hora – unidade de energia que equivale a um bilhão de Watt-horas), porém, consome menos de 2 GWh. Então, há um excedente grande dessa eletricidade que vai trazer benefícios para a população em termos de que precisamos agregar valor a esses produtos”.
Para Gonzalez, a implantação de uma infraestrutura portuária adequada poderá contribuir para o desenvolvimento de uma cadeia produtiva associada às energias renováveis. “Uma atividade econômica requer de todas as áreas de conhecimento, não somente engenharia”, afirmou. Segundo ele, além de gerar oportunidades de trabalho, o projeto poderá contribuir para a geração de empregos qualificados no Estado e na região Nordeste. “É visto esse projeto como um projeto estrutural nacional e como pode se tornar referência internacional devido à grande competitividade das energias renováveis do estado”, destacou.
Duas décadas de formação

Professora Ana Cláudia Negreiros, coordena o curso de Engenharia de Produção/Foto: Eduardo Mendonça
A programação da VI Semana também celebra a trajetória de duas décadas da Engenharia de Produção na UFERSA. De acordo com a coordenadora do curso, professora Ana Cláudia Negreiros, o período é marcado pela consolidação da formação e pela contribuição dos profissionais para a sociedade. “Estamos comemorando duas décadas de história, de uma trajetória de muito sucesso, de muita contribuição, de muito comprometimento com o ensino de qualidade e, com certeza, muita contribuição com a sociedade também”, afirmou.
Ao longo desses 20 anos, segundo a coordenadora, o curso já formou mais de 400 engenheiros e engenheiras de produção. A professora ressaltou, entretanto, que a comemoração também está voltada para o futuro.

Reitor da UFERSA, professor Rodrigo Codes/Foto: Eduardo Mendonça
Entre as perspectivas está a atualização do Projeto Pedagógico do Curso (PPC), construído a partir da escuta de estudantes e do mercado de trabalho. “Tem várias disciplinas novas que vão entrar na nova grade, inclusive disciplinas optativas que vai fazer com que o aluno possa escolher por onde seguir e por onde se encaixar melhor no mercado”, explicou.
Para Ana Cláudia, a atualização é necessária diante das transformações contínuas no mercado profissional. “A demanda sempre é a atualização contínua desse profissional, que é o engenheiro de produção.”
O reitor da UFERSA, professor Rodrigo Codes, destacou os 20 anos da Engenharia de Produção como um marco para a Universidade. Segundo ele, o curso está entre os primeiros implantados após a transformação da Escola Superior de Agricultura de Mossoró (ESAM) em universidade federal. “É um marco esses 20 anos do curso, são 432 profissionais formados e formadas ao longo desse tempo”, afirmou.
O reitor também ressaltou os investimentos realizados na estrutura do curso e a procura pela formação. “Nós temos estruturado os laboratórios, melhorado as condições e hoje em dia é uma das engenharias de segundo ciclo mais concorridas”. Segundo Codes, a Engenharia de Produção está entre os cursos de Engenharia de Segundo Ciclo mais procurados da Universidade. Ele também destacou investimentos recentes em equipamentos e computadores destinados aos laboratórios da instituição, incluindo os utilizados pelo curso.
Para o reitor, o cenário econômico também contribui para ampliar as perspectivas profissionais. “Vivemos um momento que a economia do país vem se aquecendo e a engenharia acompanha. Então cada vez mais nós temos tido mais oportunidades para os engenheiros, especialmente na área da engenharia de produção.”

Estudantes são preparados para o mercado de trabalho/Foto: Eduardo Mandonça
No cotidiano do curso, os 20 anos também são percebidos pelos estudantes. No décimo período da graduação, o estudante Arthur William Formiga Saraiva avalia que a formação oferecida pela UFERSA proporciona contato com diferentes aspectos da profissão.
“O curso de Engenharia de Produção é muito importante, tem vários professores capacitados, a UFERSA dá uma estrutura muito boa, principalmente nesses 20 anos a gente conseguiu fazer visitas técnicas que eu acho muito importante para o aluno ver na prática como acontece algumas coisas, como são realmente a produção”, relatou.
Próximo da conclusão do curso, Arthur já observa o mercado de trabalho e busca experiências que possam contribuir para o início da carreira profissional. “Espero, assim que terminar, já conseguir um emprego e dar sequência à minha carreira”.

Professor Blak Charles acompanhou a consolidação do curso/Foto: Eduardo Mendonça
O professor mais antigo do curso, o decano Blake Charles Diniz Marques acompanha a trajetória da Engenharia de Produção há 17 anos. Ele lembra os desafios enfrentados nos primeiros anos e avalia que o curso alcançou uma estrutura mais consolidada. “Desafio do início é sempre um pouco difícil, mas hoje muito recompensador”, afirmou. Para o professor, o crescimento do corpo docente e a estruturação do curso são resultados importantes dessas duas décadas.
Ao projetar o futuro, Blake destaca as transformações tecnológicas e a necessidade de preparar os profissionais para esse novo cenário. “A gente sabe da revolução que nós estamos vivendo, a revolução tecnológica, inteligência artificial”, disse.
Na avaliação do professor, a própria característica da Engenharia de Produção favorece a incorporação dessas transformações. “O curso tem uma palavra-chave que é gestão, então é gestão da informação, gestão da tecnologia, gestão da sustentabilidade, gestão de processos, então a gente procura dar um método a tudo que a gente faz”, pontuou o professor Blake Charles.
A VI Semana de Engenharia de Produção prossegue até quinta-feira, 17 de setembro, com uma programação que reúne palestras, oficinas, minicursos e outras atividades voltadas à formação acadêmica e profissional dos estudantes. O evento integra as comemorações pelos 20 anos do curso e também propõe uma reflexão sobre os novos desafios e oportunidades para a Engenharia de Produção.Eu manteria esse título como primeira opção. Ele junta os dois elementos mais fortes da pauta — os 20 anos do curso e o tema estratégico do hidrogênio verde — sem deixar a matéria excessivamente institucional.