
As cerimônias ocorreram no novo Auditório do Expocenter, marcando também a primeira ocupação do espaço/Foto: Eduardo Mendonça
A Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA) realizou, nesta segunda-feira (17), as solenidades de Colação de Grau dos concluintes 2026.1 de quatro Centros do Campus Mossoró, dando início a maratona de formaturas. As cerimônias ocorreram no novo Auditório do Expocenter, no Campus Leste, marcando também a primeira ocupação do espaço, que tem formato de teatro e capacidade para 680 pessoas.

Familiares dos concluintes lotam auditório/Foto: Eduardo Mendonça
A programação foi dividida em duas solenidades. Às 18h, receberam o grau os concluintes dos cursos do Centro de Ciências Biológicas e da Saúde e do Centro de Ciências Sociais Aplicadas e Humanas: Administração, Biotecnologia, Ciências Contábeis, Direito, Ecologia e Educação do Campo.
Às 20h, foi a vez dos concluintes dos cursos do Centro de Ciências Agrárias e do Centro de Ciências Exatas e Naturais: Agronomia, Ciência da Computação, Ciência e Tecnologia Integral, Ciência e Tecnologia Noturno, Engenharia de Pesca, Engenharia Florestal, Medicina Veterinária e Zootecnia. Cada solenidade contou com um estudante como orador.
O momento reuniu estudantes, familiares, professores e gestores da Universidade para celebrar o encerramento da graduação e o início de uma nova etapa profissional. Nos discursos, a trajetória acadêmica foi apresentada não apenas como uma conquista individual, mas como resultado do esforço coletivo de estudantes, famílias, professores e da própria universidade pública.
“Quando um de nós vence, nunca vence sozinho”

Anderson, um dos oradores, emociona os presentes/Foto: Eduardo Mendonça
Orador da segunda solenidade, o formando Antônio Anderson Dantas, da Engenharia Florestal, destacou em seu discurso a dimensão coletiva da conquista. Filho de pedreiro e dona de casa, ele iniciou sua fala a partir da pergunta: “quantos vencem se você vencer?”
Para Anderson, o diploma representa histórias diferentes e trajetórias marcadas por oportunidades e dificuldades distintas. Ele lembrou estudantes que precisaram trabalhar durante a graduação, enfrentar dificuldades financeiras e superar obstáculos para permanecer na universidade. “Por isso, quando um de nós vence, nunca vence sozinho”, ressaltou.
O formando também homenageou as famílias, professores, amigos e colegas que contribuíram para a chegada dos estudantes à cerimônia. Em uma passagem marcada pela memória dos anos de graduação, citou momentos cotidianos compartilhados pelos estudantes, como as filas do Restaurante Universitário, as horas de estudo na biblioteca e os encontros no Centro de Convivência.

Estudantes de quatro centros acadêmicos colam grau/Foto: Eduardo Mendonça
Anderson também dedicou parte do discurso à memória. Ao lembrar a geração que acompanhou a transição da infância sem telas para a expansão dos celulares, da internet e das novas tecnologias, estabeleceu uma comparação entre a memória digital e as experiências vividas durante a graduação.
Segundo ele, computadores possuem memória, mas ela tem limites. Já as lembranças construídas na universidade permanecem na história de cada formando. “Essa memória não cabe um aparelho, ela vive na nossa história e é justamente ela que fará com que esta noite nunca seja esquecida”.
Ao retomar a pergunta inicial no encerramento, Anderson ampliou o significado da vitória representada pelo diploma. Para ele, quando um estudante se forma, também vencem seus pais, mães, famílias, professores e amigos, além da educação pública e da sociedade que receberá os novos profissionais. “Que este diploma seja mais do que o fim de uma graduação, que ele seja um lembrete de onde viemos e quem caminhou ao nosso lado e da responsabilidade que temos de abrir caminhos para que outras pessoas também possam vencer”, lembrou.
Universidade pública como instrumento de transformação

José Américo, também orador, ressalta papael inclusivo da UFERSA/Foto: Assecom
Na primeira solenidade, o orador José Américo Ferreira de Oliveira, formando em Licenciatura em Educação do Campo, também ressaltou o caráter coletivo da conquista. Homem negro, ator e oriundo de uma trajetória ligada à periferia e à zona rural, ele definiu sua presença na tribuna como um “ato de presença” e destacou a ocupação da universidade por grupos que historicamente enfrentaram barreiras de acesso ao ensino superior.
Américo falou sobre as dificuldades enfrentadas por estudantes que conciliam trabalho, deslocamentos e estudos e homenageou familiares, colegas e professores. A inclusão ocupou lugar central em sua fala, com destaque para o papel da universidade pública, gratuita e de excelência na transformação das trajetórias familiares. O formando definiu a UFERSA como um “projeto de país”, capaz de abrir caminhos para filhos de agricultores, mulheres trabalhadoras, jovens da periferia e pessoas negras e de baixa renda.
Em sua reflexão sobre o papel social da universidade, destacou que o conhecimento produzido no Semiárido também é instrumento de transformação. “O sertão não apenas resiste, o sertão produz conhecimento, arte, justiça e riqueza social”, afirmou.
Reitor destaca expansão e novos cursos

Reitor Rodrigo Codes preside as solenidades de formaturas/Foto: Eduardo Mendonça
Durante a solenidade, o reitor da UFERSA, professor Rodrigo Codes, ressaltou que a Colação de Grau representa a celebração de uma conquista, mas também o início de uma nova etapa. “A colação de grau não é o fim de uma caminhada, é o começo de uma nova etapa”, disse. Ao fazer um balanço dos quase dois anos de gestão, que serão completados em 31 de agosto, o reitor destacou ações voltadas ao fortalecimento dos quatro campi, à ampliação das oportunidades para os estudantes, à infraestrutura, à assistência estudantil, à inovação, ao ensino, à pesquisa e à extensão.
Entre as principais conquistas anunciadas, Codes destacou a inclusão da UFERSA no programa Universidades Transformadoras, do Ministério da Educação, com 10 novos cursos de graduação a serem ofertados pelo Sisu nos campi de Angicos, Caraúbas, Mossoró e Pau dos Ferros.

Reitor anuncia 10 novos cursos para UFERSA/Foto: Eduardo Mendonça
Em Mossoró, a previsão é de oferta, já no próximo ano, de Terapia Ocupacional e Fonoaudiologia, com 30 vagas cada. Também estão em desenvolvimento as propostas para os cursos de Inteligência Artificial e Ciência de Dados e para o bacharelado em Ciências Aeronáuticas.
No Campus Angicos, estão previstos cursos de Licenciatura em Matemática, Licenciatura em Biologia e Licenciatura em Pedagogia. Pau dos Ferros deverá receber Inteligência Artificial e Ciência de Dados, enquanto Caraúbas contará com Pedagogia Bilíngue e Letras-Libras.
Para o reitor, a expansão reforça o papel da UFERSA no desenvolvimento do Rio Grande do Norte e do Semiárido. “É a nossa universidade que segue avançando nos três eixos: estratégica, inovadora e inclusiva”, pontuou. Ao falar diretamente aos formandos, Codes destacou a necessidade de uma atuação profissional acompanhada de responsabilidade ética e social, diante de transformações como a inteligência artificial, as mudanças climáticas e o avanço das tecnologias. “Sejam profissionais competentes, mas sejam também pessoas éticas. Sejam inovadores, mas não esqueçam da solidariedade”, aconselhou Codes.
O reitor também incentivou os novos profissionais a ocuparem espaços, pesquisarem, empreenderem e defenderem a ciência, a democracia e a educação pública. “O mundo precisa do conhecimento que vocês adquiriram, o Brasil da competência de vocês”, concluiu ao parabenizar os formados.
A força da caatinga e a trajetória dos estudantes

Paranifa professora Elisabete Stradiotto ressalta o poder transformador da caatinga e da educação/Foto: Eduardo Mendonça
Paraninfa das turmas, a professora Elisabete Stradiotto ressaltou a diversidade das trajetórias presentes no auditório. Ao se apresentar como uma “mossoroense em constante construção”, reconheceu tanto os estudantes que enfrentaram longas jornadas de trabalho e deslocamento quanto aqueles que, mesmo em contextos de maior conforto, escolheram a universidade pública.
Para falar sobre a trajetória dos formandos, a professora utilizou uma referência diretamente ligada ao território onde a UFERSA está inserida: a caatinga. Segundo a paraninfa, o bioma muitas vezes é visto de forma equivocada por quem observa apenas o período de estiagem. A perda das folhas durante a seca não representa rendição, mas uma estratégia de sobrevivência.
A comparação foi utilizada para representar a experiência dos estudantes durante a graduação. As noites maldormidas, as dificuldades e as rotinas consideradas “áridas” não impediram que os formandos continuassem avançando. Assim como a caatinga responde às primeiras chuvas, pequenos gestos de apoio – como um abraço da família ou uma aula inspiradora – podem renovar as forças. “A caatinga do dia para a noite brota e pinta o sertão de um verde vibrante”, lembrou aos afilhados.
A professora associou essa capacidade de resistir e florescer à trajetória dos estudantes, definindo-a como “a arte de florescer na aridez”. Ao final, ressaltou que os formandos também têm papel central no desenvolvimento da região, como profissionais capazes de contribuir para a sustentabilidade, o desenvolvimento e a dignidade do Semiárido.
Formandos celebram a conquista

Formados comemoram/Foto: Eduardo Mendonça

Raisa, médica veterinária/Foto: Assecom
Entre os estudantes que receberam o grau estava Raíssa Taená dos Santos Rosa, de Medicina Veterinária. Natural de Natal, ela contou que precisou abdicar de muitas coisas para permanecer em Mossoró durante a graduação. Para ela, a formatura representa satisfação, felicidade e realização. “É um momento que significa muito mais ainda para mim, porque é um momento de realização mesmo”, afirmou. Raíssa avaliou positivamente a formação recebida e destacou a estrutura dos laboratórios e a atuação dos professores do curso de Medicina Veterinária.

Effran, agrônomo/Foto: Assecom
Também formado em Agronomia, Effran Cilma Magania Koueno veio da República Democrática do Congo para estudar na UFERSA. Ele destacou a receptividade encontrada em Mossoró e entre os colegas de turma. “Gostei bastante, pois tive a ajuda dos amigos da turma que me acolheram, que me receberam bem na turma, que eu gostei, me senti em casa”. Com o diploma em mãos, Effran já planeja o próximo passo: pretende cursar mestrado no Canadá e aguarda o retorno da universidade onde participou do processo seletivo.

Rafael, bacharel em direito/Foto: Assecom
Para Rafael Bruno Silva Leite, formando em Direito, a graduação representou uma trajetória de cinco anos marcada por dificuldades, conquistas e aprendizado. Ele destacou o papel da UFERSA na formação para a atuação jurídica e o desenvolvimento de uma visão crítica sobre os problemas sociais. “É com muita humildade que eu chego aqui e reconheço que UFERSA é a minha casa”, definiu. Rafael pretende iniciar a carreira na advocacia, com a perspectiva de prestar concursos públicos e, futuramente, seguir também pela docência e pela pós-graduação.

Wesley, contador/Foto: Assecom
Em Ciências Contábeis, Wesley Gustavo Melo Cândido definiu a formatura como resultado de quatro anos e meio de dedicação, esforço e renúncias. Para ele, a conquista também pertence à família e representa o potencial da educação pública para ampliar oportunidades. “A UFERSA dá muita oportunidade para os estudantes, principalmente as pessoas que têm baixa renda, que através da educação gratuita e de qualidade conseguem se formar”, opinou o contador.

Iasmim/Administradora/Foto: Assecom
Já Iasmim Carolaine, de Administração, destacou o esforço diário de deslocamento entre Areia Branca e Mossoró para frequentar as aulas. A conclusão da graduação, segundo ela, transforma as dificuldades enfrentadas ao longo do caminho em uma experiência gratificante. “Hoje vejo como foi gratificante todo esse esforço”, acredita. Não só para ela, mas também para os demais formados aptos para o mercado profissional com graduação superior.
As solenidades do Campus Mossoró vão continuar nesta terça-feiram 18, às 20h, no Auditório do Expocenter, para os concluintes do Centro de Engenharia e NEAD.