A Universidade Federal Rural do Semiárido (Ufersa), Campus Mossoró, sedia nesta sexta-feira, 22, e sábado, 23, a exposição fotográfica Viver a Caatinga. O evento exibe 15 fotos-pôsteres de grande formato fixadas em árvores nativas do Bosque dos Juazeiros. A iniciativa integra as atividades da Semana Nacional dos Museus e celebra o Dia Internacional da Biodiversidade com o objetivo de reaproximar o público da riqueza ecológica do bioma.
A mostra tem coordenação de Diana Lunardi, professora do Departamento de Engenharia e Ciências Ambientais da Ufersa, com apoio do edital de extensão e cultura da universidade. O acervo fotográfico é composto por registros de três profissionais da Ufersa: os pesquisadores do Departamento de Biociências (DBIO/Ufersa) Vitor Lunardi, coordenador do Laboratório de Ecologia Evolutiva e Molecular, e Milena Wachlevski, curadora das coleções herpetológica e audiovisual do Semiárido, além do fotógrafo Eduardo Mendonça, da Assessoria de Comunicação (Assecom/Ufersa).
Entre os registros, duas fotografias chamam atenção pelos comportamentos raros no ecossistema local. Vitor Lunardi documentou uma ave casaca-de-couro no momento em que recolhia um pedaço de plástico branco sólido para a construção do ninho. O flagrante contesta o hábito tradicional da espécie, que utiliza historicamente apenas galhos espinhosos da vegetação local. O segundo registro, de Milena Wachlevski, capta uma perereca-de-bananeira em seu habitat natural durante a metamorfose. O anfíbio aparece no estágio exato de transição entre girino e sapo, com o vestígio visível da cauda larval.
Ao contestar o estereótipo de que a Caatinga se resume apenas à seca e à escassez, a exposição utiliza a arte documental para revelar a rica complexidade biológica da região aos visitantes. Segundo Diana Lunardi, embora o bioma possua relevância indiscutível e riqueza singular, parte da população ainda demonstra desinteresse pela região devido a visões históricas de pobreza e aridez severa. “Queremos destacar, nesta singela exposição fotográfica, que a Caatinga pode ser fascinante quando nos permitimos contemplá-la com o coração leve e os olhos de uma criança”, pontua a professora.
A partir desse olhar, os idealizadores buscam despertar o interesse público e conscientizar a sociedade sobre a necessidade urgente de preservação desse ecossistema único. Durante a exposição, docentes e estudantes da área de conservação ambiental acompanham as visitas para orientar o público e partilhar informações científicas sobre as espécies retratadas. A organização da mostra trabalha na articulação com instituições parceiras para transformar a exposição em um projeto itinerante, expandindo o alcance das imagens para além do campus universitário em datas futuras.