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Comunicação

CAADIS fortalece debate sobre equidade na UFERSA com foco em acessibilidade, diversidade e inclusão

Extensão, Inclusão 26 de novembro de 2025. Visualizações: 199. Última modificação: 26/11/2025 09:24:05

Seminário reuniu gestores e representantes da Ufersa e de movimentos sociais em um espaço de  articulação coletiva em torno das políticas de inclusão/Foto: Assecom

A Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA), Campus Mossoró, abriu na noite desta terça-feira (25) o VI Seminário de Ação Afirmativa, Diversidade e Inclusão Social (SEADIS) e o Fórum de Acessibilidade, Inclusão e Diversidade (FAIND), que seguem até esta quarta-feira (26), no Auditório da Pró-Reitoria de Extensão e Cultura. Com o tema central “Acessibilidade, Diversidade e Inclusão: desafios e possibilidades para a construção de uma sociedade equitativa”, o evento reuniu gestores, docentes, estudantes e representantes de movimentos sociais em um espaço de escuta, reflexão e articulação coletiva em torno das políticas de inclusão na instituição.

Público prestigia eventos da CAADIS/Foto: Assecom

A abertura dos trabalhos foi marcada pela apresentação da professora Lourdes Fernandes, coordenadora da CAADIS, que trouxe ao público os resultados de um levantamento inédito sobre os coletivos, grupos e ações que atuam diretamente nas temáticas da diversidade e inclusão dentro da UFERSA. Segundo ela, o estudo revelou a existência de 11 grupos vinculados às áreas correspondentes à Coordenadoria, evidenciando o engajamento da comunidade acadêmica, mas também a necessidade de maior integração institucional.

“Sabemos que muitas coisas acontecem na universidade, mas nós não tínhamos esse levantamento. Quem são os grupos? Quem trabalha com quem? A partir desse mapeamento, percebemos que a Universidade está bem atuante nessas áreas e que precisamos fazer uma aproximação maior entre a CAADIS e o que já vem sendo desenvolvido”, destacou Lourdes. Os dados apresentados mostram que 72,7% das iniciativas identificadas atuam diretamente com as temáticas da coordenação, com destaque para o Campus Angicos, que concentra 45,5% dos grupos, seguido por Mossoró (27,3%), Pau dos Ferros (18,2%) e Caraúbas (9,1%).

A professora também ressaltou que o levantamento é apenas o ponto de partida para a construção de uma universidade mais equitativa. “Pensamos em uma instituição que contribua para uma sociedade antirracista, que valorize a diversidade, que promova encontros, trocas de saberes e transformação. Nosso objetivo é conhecer e articular esses grupos para que a CAADIS se sinta mais integrada e participativa nesse processo educativo que, antes de tudo, é humano”, afirmou.

Ivan Baron, ativista social  aborda importância de discutir o capacitismo/Foto: Assecom

CONVIDADOS – A programação da noite seguiu com uma Roda de Conversa que reuniu convidados com trajetórias diretamente ligadas à luta pelos direitos humanos, inclusão e diversidade. O pedagogo e ativista Ivan Baron destacou a importância de levar o debate sobre capacitismo para além dos muros acadêmicos. “Estar aqui é a lembrança de que meu trabalho está surgindo efeito. Mas é preciso que isso não fique preso apenas na intelectualidade. O capacitismo é uma luta coletiva, não apenas das pessoas com deficiência, mas de toda a sociedade”, pontuou.

Para ele, a universidade tem papel central na desconstrução dessas barreiras, tanto na produção científica quanto na criação de condições para que novos pesquisadores com deficiência tenham êxito.

Emilly Fernandes, professora da Ufersa, exemplo de inclusão na Ufersa/Foto: Assecom

A professora da UFERSA, Emily Fernandes, trouxe à discussão a diversidade sexual e o lugar das pessoas trans na universidade. Segundo ela, é fundamental que o ambiente acadêmico naturalize esses debates. “A universidade precisa discutir e naturalizar esse diálogo sobre diversidade, sobre sexualidade e gênero. Quando a gente naturaliza, a gente passa a ver como algo normal, como algo que existe”, destacou.

Ao relatar sua trajetória como ex-aluna e hoje docente, Emily reconheceu avanços no acolhimento institucional, mas ponderou que ainda há desafios. “Já sofri preconceito em alguns momentos, mas no meu curso e na CAADIS sempre fui muito acolhida. Isso faz diferença.”

Professor Gilson Júnior reforça importância das cotas/Foto: Assecom

A discussão sobre ações afirmativas foi aprofundada pelo professor do IFRN, Gilson José Rodrigues Júnior, que reforçou a relevância das cotas como instrumento de justiça social. “Elas nos levam a questionar o lugar da população negra para além do lugar servil. Ainda precisamos de instituições verdadeiramente acolhedoras dessa diversidade étnico-racial. Não há mudança sem comprometimento da gestão”, afirmou, ao avaliar positivamente a realização do evento pela CAADIS. “A gente ainda precisa de uma universidade de institutos que sejam acolhedores com essa diversidade étnico-racial e nós ainda precisamos trabalhar muito. As cotas precisam se tornar desnecessárias, mas a gente não está muito longe disso”, pontuou.

Professor Ozaias defende mais extensão na universidade/Foto: Assecom

Já o professor da UFERSA, Ozaias Antônio Batista, destacou a importância da universidade dialogar com as comunidades externas. “Nesse movimento de troca de saberes e experiências, a universidade amplia seu referencial acadêmico e científico. Ela só ganha quando entra em contato com outros sujeitos, outras histórias e outras formas de conhecimento”, disse.

Ao final do primeiro dia, a professora Lourdes Fernandes avaliou de forma positiva o evento e ressaltou que a participação do público confirmou a relevância da iniciativa. “Trouxemos pessoas com conhecimento sobre as temáticas e um público que veio para aprender e discutir inclusão, acessibilidade, etnias, gênero. Considero um evento muito positivo dentro dessa proposta”, afirmou. Para ela, o seminário representa um impulso para ampliar as ações da CAADIS. “Precisamos dar mais visibilidade e fortalecer esse trabalho. O levantamento dos grupos nos permite aumentar o engajamento e construir propostas mais integradas.”

 

Mesa de abertura evidencia protagonismo da UFERSA nas políticas de inclusão e diversidade

Durante a solenidade de abertura, os integrantes da mesa ressaltaram o papel pioneiro da UFERSA na implementação e consolidação das políticas de ações afirmativas no Rio Grande do Norte. O professor Samuel Azevedo, diretor do Campus Angicos, destacou a importância do mapeamento realizado pela CAADIS. “É fundamental que esses grupos se conheçam para que possamos fazer trabalhos interligados e parcerias. Esse levantamento é essencial para que isso aconteça de forma mais efetiva”, afirmou, comemorando o destaque de Angicos no número de iniciativas mapeadas.

A professora Ady Canário, coordenadora do Coletivo de Mulheres Negras da UFERSA, ressaltou o papel histórico da universidade. “É uma honra saber que a UFERSA foi a primeira do RN a criar uma coordenação de ação afirmativa, diversidade e inclusão social e que não só criou, mas ampliou, consolidou e fortaleceu. Não existe produção do conhecimento sem a efetivação da equidade”, disse, destacando ainda a transversalidade e a perspectiva interseccional presentes no evento.

O pró-reitor de Graduação, professor Edcarlos Leite, relembrou o percurso institucional das ações afirmativas desde 2010, citando projetos e cursos voltados à inclusão, como Letras-Libras, Licenciatura do Campo e futuras implantações previstas, como Psicologia, Fonoaudiologia e Terapia Ocupacional. “Esse tema é bastante dialogado junto à gestão atual. Mas entendemos que isso ainda não basta, precisamos ampliar e fortalecer cada vez mais essas ações”, ressaltou. A mesa de abertura consolidou o compromisso institucional, diálogo e construção coletiva em busca de uma universidade mais justa, diversa e verdadeiramente equitativa.

Seminário CAADIS
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