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Comunicação

Professora da Ufersa vence prêmio com tese sobre Benedita da Silva e os caminhos da luta por Direitos Humanos

Reconhecimento 7 de novembro de 2025. Visualizações: 502. Última modificação: 07/11/2025 15:24:06

Tese de Rayane Andrade reconstrói a trajetória de uma das mais importantes figuras políticas e sociais do país, Benedita da Silva/Foto: Cedida

A professora do curso de Direito da Universidade Federal Rural do Semi-Árido (Ufersa), Rayane Cristina de Andrade Gomes, foi a grande vencedora do Prêmio de Melhor Tese em Direitos Humanos do Programa de Pós-Graduação em Direitos Humanos e Cidadania (PPGDH), da Universidade de Brasília (UnB), referente ao período de 2022 a 2025. O anúncio foi feito pela coordenação do programa, após criteriosa avaliação de trabalhos por uma comissão composta por docentes e discentes.

A tese premiada, intitulada “Benedita da Silva: caminhos de uma mulher negra e favelada na luta por direitos humanos no Brasil”, reconstrói a trajetória de uma das mais importantes figuras políticas e sociais do país, reconhecida por sua militância em defesa das populações negras, periféricas e femininas.

Em entrevista, Rayane Andrade expressou alegria e gratidão pela conquista, ressaltando o caráter pioneiro de sua pesquisa. “Fico satisfeita por ter construído o primeiro texto doutoral sobre as imensas contribuições de Benedita da Silva para os Direitos Humanos em nosso país. Essa mulher precisa ser reconhecida em sua grandeza”, afirmou.

A docente, que há anos atua nos movimentos sociais e acadêmicos voltados à igualdade racial e à justiça social, destacou que o prêmio representa muito mais que um reconhecimento individual. “É uma validação coletiva, uma reverência à atuação combativa e atual de Benedita da Silva. É o reconhecimento de que a Universidade pode e deve valorizar os saberes e as contribuições de pessoas negras e mulheres”, disse.

Na tese, Rayane analisou a produção intelectual e política de Benedita da Silva, tendo como fontes a autobiografia publicada em 1997, livros, entrevistas, campanhas, materiais audiovisuais, discursos parlamentares e projetos de lei. Utilizando ferramentas computacionais, como o Iramuteq, a pesquisadora mapeou os principais eixos da contribuição de Benedita para os Direitos Humanos no Brasil.

premiação vai acontecer no dia 28/11, na UnB, em Brasília/Foto: Cedida

Mais do que um estudo biográfico, o trabalho traz um olhar sensível e político sobre a resistência feminina negra no espaço público. “Benedita é nosso presente-ancestral”, define Rayane. “Ela é uma figura extraordinária, que o povo brasileiro precisa conhecer ainda mais. As principais medidas de Direitos Humanos voltadas a mulheres, negros, indígenas e quilombolas têm as digitais dessa mulher”.

Ex-militante estudantil e hoje professora universitária, Rayane também refletiu sobre o significado da conquista. “O prêmio valida uma história, mas não apaga os desafios. Ser uma mulher negra no ensino jurídico é romper um padrão. Ainda enfrentamos barreiras estruturais, mas seguimos inspiradas pela luta de figuras como Benedita”, afirma.

Para a pesquisadora, os desafios atuais dos Direitos Humanos são urgentes e complexos. “Vivemos tempos difíceis, em que discursos eugênicos, misóginos e racistas voltam a ganhar espaço. Precisamos estar atentas, porque as garantias não são permanentes –  apenas a luta pela sua manutenção o é”, conclui.

A cerimônia de entrega da premiação ocorrerá no dia 28 de novembro de 2025, às 18h, no Auditório Esperança Garcia, da Faculdade de Direito da UnB, reunindo os autores das melhores teses e dissertações produzidas entre 2022 e 2025 no PPGDH.