O Campus Angicos da Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA) acaba de se consolidar como um verdadeiro exemplo de sustentabilidade e inovação pedagógica. Por meio do programa “E-Lixo Consciente”, o campus se transformou em um ecoponto de coleta e reaproveitamento de resíduos eletrônicos, unindo ensino, pesquisa e responsabilidade ambiental em uma mesma iniciativa.

Coordenadoras: Professoras Samira Yusef, Marianna Campos e Natália Veloso (da esquerda para direita)/Foto: Cedida
Idealizado pelas professoras Marianna Cruz Campos Pontarolo, Natália Veloso Caldas de Vasconcelos e Samira Yusef Araújo de Falani Bezerra, o projeto aplicou a Aprendizagem Baseada em Projetos (PBL) em quatro disciplinas do curso de Engenharia de Produção. A proposta surgiu para enfrentar dois problemas comuns nas universidades brasileiras que são o descarte incorreto de resíduos de equipamentos eletroeletrônicos (REEE) e a ausência de um fluxo de logística reversa estruturado.
Durante o semestre letivo, os estudantes vivenciaram uma experiência interdisciplinar que envolveu planejamento, execução, coleta e reaproveitamento de materiais, além da prototipagem de novos produtos a partir do reuso de componentes. O resultado foi uma experiência de aprendizagem ativa que conectou teoria e prática, estimulando competências técnicas e socioambientais essenciais à formação do engenheiro do século XXI.
Entre as conquistas do programa, destaca-se a institucionalização do ecoponto no Centro de Convivência do campus, agora incorporado às atividades permanentes da UFERSA Angicos. A estrutura conta com cinco coletores distribuídos em pontos estratégicos, como o bloco de aulas, a biblioteca e o próprio Centro de Convivência, que recebem equipamentos como notebooks, cabos, teclados, gabinetes e smartphones.
O “E-Lixo Consciente” também firmou parcerias estratégicas com o Projeto RN + Limpo – maior campanha de descarte ambientalmente correto do Rio Grande do Norte – e com empresas especializadas em economia circular, como a Natal Reciclagem e a Circular Brain. A primeira assumiu o transporte e destinação ambientalmente adequada dos resíduos coletados, enquanto a segunda garantiu a reintegração dos materiais à cadeia produtiva, promovendo o reaproveitamento e a redução do impacto ambiental.
A experiência gerou frutos além da coleta. O grupo desenvolveu dois produtos a partir do reaproveitamento dos resíduos: o jogo educativo EDU-PDP, voltado ao ensino de projeto e desenvolvimento de produto, e um porta-lápis. O jogo foi apresentado em eventos científicos como o Congresso Brasileiro de Educação em Engenharia (COBENGE) e o PAN-PBL 2025, conferência internacional sobre metodologias ativas realizada na PUC Minas. Um dos produtos do programa inclusive resultou no registro de software no INPI, evidenciando o potencial de inovação da iniciativa.

Porta-lápis e jogo de tabuleiro/Foto: Cedida
Para orientar a continuidade das ações, os participantes também elaboraram um Procedimento Operacional Padrão (POP) que sistematiza as etapas de descarte, coleta e destinação de resíduos eletrônicos, assegurando a sustentabilidade e a responsabilidade ambiental do processo.
Na avaliação das docentes, o “E-Lixo Consciente” comprova que a sustentabilidade pode ser uma poderosa ferramenta de aprendizagem. A metodologia PBL, segundo elas, foi decisiva para desenvolver nos estudantes competências como colaboração, comunicação, pensamento crítico e aplicação prática do conhecimento, reforçando a formação integral e alinhada aos desafios contemporâneos da engenharia e da sociedade.
Com a consolidação do ecoponto e o engajamento crescente da comunidade acadêmica, o Campus Angicos se afirma como referência regional em práticas ecologicamente responsáveis, mostrando que inovação, ensino e sustentabilidade podem caminhar lado a lado.