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Comunicação

Pesquisadores da Ufersa apontam alternativa à degradação ambiental do semiárido

Meio Ambiente, Pesquisa 22 de setembro de 2025. Visualizações: 343. Última modificação: 22/09/2025 14:22:43

Pesquisadores da Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA), em colaboração com o Brazilian Institute of Data Science (BI0S) e a Charles Darwin University, são autores de um estudo publicado nesta segunda, dia 22, na revista Integrative Conservation. O trabalho propõe que a ciência cidadã é uma resposta concreta à degradação ambiental no Semiárido brasileiro. O artigo destaca que o envolvimento direto da população na coleta de dados ambientais pode preencher lacunas críticas de conhecimento, ampliar a conscientização sobre conservação e fortalecer a produção de políticas públicas mais eficazes.

A Caatinga, bioma predominante na região semiárida, sofre com desmatamento, desertificação e salinização do solo, reflexo de décadas de crescimento econômico desordenado. Estimativas recentes indicam que mais de 36% da área está degradada e menos de 9% conta com proteção legal. O professor do departamento de Biociências da Ufersa, Lucas Rodriguez Forti, é autor principal do estudo e líder do Observatório Ambiental do Semiárido. Ele afirma que os avanços tecnológicos são indispensáveis, mas insuficientes diante da fragmentação do conhecimento sobre biodiversidade e da escassez de infraestrutura para monitoramento em larga escala. O pesquisador ressalta que a ciência cidadã pode ser uma ponte entre dados robustos e decisões públicas mais justas.

O estudo defende que transformar cidadãos em colaboradores ativos da ciência, por meio do monitoramento participativo, é uma estratégia promissora para gerar dados em larga escala e promover a alfabetização científica. Essa abordagem contribui, de acordo com eles, para evitar extinções biológicas, combater injustiças ambientais e cultivar um compromisso coletivo com a proteção dos bens comuns.

Colaboradores do Projeto Escutadô. Foto cedida/arquivo pessoal.

Exemplo prático

Um exemplo prático dessa proposta é o Projeto Escutadô, desenvolvido por pesquisadores da Ufersa em parceria com o BI0S e financiado pela FINEP. A iniciativa combina ecoacústica e ciência cidadã para criar uma ferramenta capaz de detectar sinais de degradação ambiental no Semiárido com apoio de inteligência artificial. Comunidades locais e voluntários participam da coleta de dados sonoros, contribuindo diretamente para a geração de grandes volumes de dados. Até o momento, o projeto já acumulou mais de 16 mil horas de gravações em mais de 60 localidades do Semiárido nordestino, abrangendo áreas nos estados do Rio Grande do Norte, Ceará e Paraíba.