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Comunicação

Ufersa conquista terceira patente em pesquisa interdisciplinar entre Medicina e Engenharia

Pesquisa 20 de agosto de 2025. Visualizações: 718. Última modificação: 25/08/2025 10:25:32

Nova patente dá continuidade a uma linha de pesquisa voltada para o desenvolvimento de materiais cirúrgicos de alta qualidade e custo acessível/Foto: Eduardo Mendonça

A Universidade Federal Rural do Semi-Árido (Ufersa) acaba de conquistar mais uma patente fruto da parceria interdisciplinar entre os cursos de Medicina e Engenharia. Com o invento uma base de suporte para cura rotativa de parafusos de interferência impressos em resina 3D, que promete tornar cirurgias ortopédicas mais acessíveis, seguras e de baixo custo, abrindo caminho para utilização futura no Sistema Único de Saúde (SUS). Essa é a 21º patente conquistada pela Ufersa.

Parafuso é produzido com material biocompatível/Foto: Eduardo Mendonça

Para o coordenador do projeto, o professor de Medicina da Ufersa, Diego Ariel de Lima, o trabalho é resultado direto da união entre diferentes áreas do conhecimento. “Seria mais um resultado dessa parceria sensacional entre a medicina e a engenharia. A gente da medicina traz o problema, e o pessoal da engenharia chega com a solução. Esse processo interdisciplinar está acarretando muitas conquistas e patentes para nossa universidade. Já são três cartas patentes concedidas e sete depósitos em andamento”, destacou.

Segundo o professor Ariel, a nova patente dá continuidade a uma linha de pesquisa voltada para o desenvolvimento de materiais cirúrgicos de alta qualidade e custo acessível. “Primeiro desenvolvemos um protótipo, depois uma máquina para testes mecânicos, e agora conseguimos ampliar e otimizar a produção dos parafusos. O diferencial é que utilizamos o ácido lático (PLA), material biocompatível, produzido em impressoras 3D comuns, com especificações próprias patenteadas por nossa equipe”, explicou.

O projeto teve início em 2021, liderado pelo então professor de Engenharia Rodrigo Codes, hoje reitor da Ufersa. Ele recorda que a parceria cresceu rapidamente e rendeu resultados científicos expressivos. “Iniciamos com a patente de um parafuso em poliácido lático impresso em 3D. Depois veio o dispositivo para testar mecanicamente os protótipos. E agora, alcançamos a terceira patente com o uso de resina PLA, que proporciona melhor acabamento e resistência. É uma grande satisfação para a Ufersa avançar em pesquisas que podem futuramente ser incorporadas ao SUS”, ressaltou.

Equipamento para testes mecânicos/Foto: Eduardo Mendonça

O reitor Rodrigo Codes também ressaltou o impacto social da pesquisa para o Sistema Único de Saúde. “O SUS tem um custo elevado com cirurgias, e esse tipo de solução mostra que a universidade pode, de forma inovadora, contribuir para resolver problemas reais da sociedade”.

A professora de Medicina Lana Lacerda, anestesista e integrante da equipe, destaca que a ideia nasceu da observação prática no cotidiano hospitalar. “Os parafusos disponíveis no mercado são extremamente caros e inviáveis para o SUS. Pensamos em desenvolver algo acessível e de qualidade. E o grande mérito é exatamente esse: sair do nosso nicho da medicina e trabalhar em conjunto com outras áreas da universidade, cumprindo a verdadeira função da instituição”, afirmou.

Os testes iniciais já apontam para um futuro promissor com o novo invento produzido nos laboratórios da Universidade. “Já verificamos que não há rejeição nem toxicidade. Agora vamos avançar para estudos em animais e, posteriormente, ensaios clínicos em humanos. O objetivo é que o material possa ser utilizado em cirurgias ortopédicas de reconstrução ligamentar”, explicou a professora.

Integrantes do projeto celebram mais uma patente/Foto: Eduardo Mendonça

O projeto também tem formado novos pesquisadores. O engenheiro mecânico Macleane Ferreira Leite Monteiro, hoje mestrando em Engenharia de Materiais, iniciou sua trajetória científica no desenvolvimento dos parafusos. “É muito gratificante ver a ideia sair do papel e virar realidade. Participei desde a graduação, passando por iniciação científica, TCC, congressos, artigos e agora no mestrado. Acompanhar essa evolução até a conquista da patente é algo transformador”, disse.

A patente, concedida pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) sob o númbero BR 202024023499-0, tem validade de 15 anos. O invento se insere no campo biomédico e busca otimizar a fabricação de parafusos de interferência utilizados em cirurgias de reconstrução ligamentar, oferecendo alternativa biodegradável, personalizada e economicamente viável.

Para a comunidade científica da Ufersa, a conquista é mais do que um marco tecnológico. Representa a materialização da interdisciplinaridade em benefício da sociedade. “É um ganho coletivo, um avanço científico que nasce na Ufersa e pode chegar a hospitais do SUS, beneficiando milhares de pacientes no futuro”, concluiu o professor Diego Ariel.