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Comunicação

Encontro reúne entidades para debater sustentabilidade da agroecologia

Sem categoria 14 de outubro de 2015. Visualizações: 1216. Última modificação: 14/10/2015 11:39:51

Ricardo Padilha, João Pedro Stedile, João Paulo (UERN) e Ignácio Herman Salcedo (da esquerda para direita)

Ricardo Padilha, João Pedro Stedile, João Paulo (UERN) e Ignácio Herman Salcedo (da esquerda para direita)

Com uma mística liderada por integrantes do Movimento Sem Terra – MST, começou na noite desta terça-feira, dia 13, a programação do I Congresso de Agroecologia do Semiárido e o VII Simpósio Brasileiro sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável do Semiárido, no Teatro Municipal Dix-Huit Rosado. O CONASEM segue até sexta-feira, dia 16, com discussões em torno da temática “Agricultura Familiar na América Latina – realidade do Semiárido brasileiro”.

Poeta cordelista Antônio Francisco

Poeta cordelista Antônio Francisco

A programação da noite de abertura também foi antecedida com apresentação do poeta cordelista Antônio Francisco, cujos versos destacam a ação do homem na natureza e clama por mais cuidados. Em seguida, a mesa de abertura fora composta por autoridades da UERN, UFERSA, Prefeitura de Mossoró e IFRN.

Vânia Porto, professora da Ufersa, em discurso durante a solenidade de abertura do evento.

Vânia Porto, professora da Ufersa, em discurso durante a solenidade de abertura do evento.

Ainda durante a apresentação das autoridades, o Movimento Feminista reivindicou a ausência de mulheres no dispositivo e, em atenção à pauta, o professor José de Arimatea de Matos, seguiu os demais membros da Mesa e cedeu o lugar à professora Vânia Porto, que passou a representara Ufersa.

Em sua fala, professora Vânia Porto chama atenção para a necessidade das Universidades e coletivos da sociedade discutirem a agroecologia e as implicações do agronegócio. “A agroecologia aparece como poesia esperançosa em tempos difíceis: combate ao uso de agrotóxicos, relação igualitária de gênero, distribuição equânime da terra, saberes tradicionais, combate à fome”, ilustrou ela.

Leia a íntegra do discurso da Professora Vânia Porto.

Após desfeita a mesa, começara o momento mais esperado com as explanações dos três convidados para debater a temática. São eles: o economista e ativista social, João Pedro Stedile, do Movimento Sem Terra; Ignácio Herman Salcedo, do Instituto Nacional do Semiárido – INSA; e Ricardo Padilha, do Ministério do Meio Ambiente (MMA) e da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).

A agroecologia aparece como poesia esperançosa em tempos difíceis

Vânia Porto, professora da Ufersa
Pedro Stedile fez uma fala contundente de crítica ao modelo econômico imposto sobre a agricultura. Em um resgate histórico, lembrou que o capitalismo industrial do século XX era mais cooperativo com os campesinos que o modelo econômico do século XXI, marcado pela ingerência dos bancos e grandes corporações. “É preciso entender que os organismos são diferentes porque estão localizados em regiões geográficas que naturalmente tem suas diferenças. No entanto, sob a lógica de commodities, as grandes corporações estão padronizando tudo, de modo que a humanidade, parece, tem se restringido a cinco alimentos, que perpassam pelo sogo, milho, feijão e soja”, criticou Stedile.

Já o pesquisador Ignácio Herman Salcedo, do INSA, apresentou dados da situação do Semiárido e enfatizou a urgência de políticas públicas para o uso sustentável. Por fim, Ricardo Padilha, da FAO, reforçou a importância da troca de vivências para o fortalecimento de ações que viabilizem uma agricultura engajada com os anseios da comunidade, e, para tanto, colocou-se à disposição.

Programação –

Mística do MST durante abertura do Congresso, no teatro Dix-Huit Rosado

Mística do MST durante abertura do Congresso, no teatro Dix-Huit Rosado

Um dos momentos mais importantes da programação será marcado pela Feira de Troca de Sementes, quando os participantes trazem alimentos e sementes para compartilhar, os itens principais são o feijão e o milho, mas também aprecem frutas e sorgo e outras.

Confira a íntegra da programação

O encontro reúne mais de 700 integrantes e também irá comemorar os 30 anos da Organização Não Governamental Grupo Verde, da Ufersa, com a homenagem os 17 ex-presidentes do coletivo. E, na quinta-feira à noite, um encontro irá articular as ações de fortalecimento dos Núcleos de Agroecologia durante uma reunião.

O evento será finalizado com uma Carta de Manifestação, na qual as pautas e demandas do encontro serão sintetizadas para ganhar ampla divulgação através das instituições envolvidas. São elas: UERN, IFRN, UFERSA, Núcleo Macambira de Ensino, Pesquisa e Extensão – NUMA, Núcleo de Estudos em Agroecologia – NEA, e Grupo Verde de Agricultura Alternativa – GVAA; com os parceiros EMBRAPA, UFRN, UFC, UFRPE, SEBRAE, CREA, INCRA, MAPA, EMATER, RN Sustentável e Articulação Semiárido – ASA.