Um estudo desenvolvido por professores do curso de Psicologia da Universidade Federal Rural do Semi-Árido apresenta novas evidências sobre os impactos do estresse de minorias na saúde mental de pessoas com diversidade de gênero e sexualidade no Brasil. Intitulado “Minority Stress and Mental Health Outcomes in Gender and Sexual Diverse Groups in Brazil: Evidence on the Mediating Role of Social Support”, o artigo foi publicado na revista científica Trends in Psychology, da editora internacional Springer Nature.
A pesquisa reuniu dados de todas as regiões brasileiras, com amostras que contemplaram todas as capitais do país. O trabalho investigou como experiências de violência e outras situações de estresse relacionadas à condição de pertencimento a grupos socialmente marginalizados afetam a saúde mental. O estudo também contribui para ampliar a compreensão sobre o estresse de minorias, conceito que tem ganhado relevância nas pesquisas internacionais sobre os efeitos do estresse na saúde física e psicológica.
Entre os principais resultados, os pesquisadores identificaram que as experiências de violência vivenciadas por esses grupos têm impacto direto sobre os estados emocionais, associados ao aumento de sintomas psiquiátricos. O estudo também testou hipóteses centrais da literatura científica internacional sobre o modelo de estresse de minorias e a influência do suporte social na proteção da saúde mental.
Os dados confirmaram que o suporte social exerce um papel protetivo, contribuindo para reduzir os sintomas psiquiátricos. Entretanto, os pesquisadores identificaram diferenças entre os gêneros: as mulheres relataram menor percepção de suporte social em comparação aos homens. Essa diferença pode estar relacionada à maior presença de sintomas psiquiátricos observada entre elas, evidenciando a importância de considerar as particularidades dos diferentes grupos na compreensão do sofrimento psíquico.
Os resultados ampliam a produção de evidências científicas sobre a realidade brasileira e reforçam a necessidade de políticas públicas de saúde mental que considerem as vulnerabilidades específicas de pessoas com diversidade de gênero e sexualidade. A publicação contribui para o avanço do conhecimento científico e para o debate sobre estratégias de prevenção da violência, fortalecimento das redes de apoio e promoção da saúde mental.
O artigo está assinado pelos pesquisadores Ezequiel Batista do Nascimento, Luciana Holanda Nepomuceno e André Macedo Medeiros, da UFERSA; Rebeca Valadão Bussinger, Vinicius Teixeira Bravim e Rebeca Valadão Bussinger, da Universidade Federal do Sul da Bahia; Joseph Ricardo, L’Université de la Fondation Dr Aristide, do Haiti; e Valciclenio Valério Pereira Costa Macedo, do Instituto de Pesquisa e Ensino Santa Joana.
O artigo completo está disponível AQUI na revista Trends in Psychology.
