Início do cabeçalho do portal da UFERSA

Comunicação

40 Horas de Angicos viram patrimônio cultural do RN e têm memória preservada pela UFERSA.

Campus Angicos 27 de outubro de 2026. Visualizações: 75. Última modificação: 27/10/2026 17:00:02

Banner de divulgação da exposição itinerante sobre as 40 Horas de Angicos.

O reconhecimento das 40 Horas de Angicos como Patrimônio Cultural Imaterial do Rio Grande do Norte reafirma a importância de uma experiência que marcou a história da educação brasileira e reforça a necessidade de preservar a memória de quem a protagonizou. Na Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA), esse compromisso vem sendo construído por meio de iniciativas que reúnem audiovisual, produção editorial, exposições, homenagens e atividades de ensino, pesquisa e extensão.

Coordenada pelo educador Paulo Freire em 1963, em Angicos, no Sertão Central potiguar, a experiência pioneira de alfabetização de jovens e adultos ganhou reconhecimento oficial com a publicação da medida no Diário Oficial do Estado desta terça-feira, 27 de outubro. A iniciativa abrange as memórias, os relatos orais, os saberes e as práticas pedagógicas associados aos participantes e às comunidades envolvidas. Entre os objetivos estão preservar a memória coletiva, incentivar pesquisas, divulgar referências históricas e culturais e transmitir esse legado às futuras gerações.

Documentário “40 Horas na memória” é uma produção de audiovisual da Assecom/Ufersa

Filme – Na UFERSA, parte importante desse trabalho está registrada no documentário 40 Horas na Memória: resgate da experiência dos alunos de Paulo Freire em Angicos/RN, roteirizado e dirigido pelo jornalista Passos Júnior, no âmbito da Assessoria de Comunicação (Assecom) da Universidade. Lançado em 2013, durante as comemorações dos 50 anos da experiência, o filme acaba de alcançar a marca de 95 mil visualizações no canal da UFERSA no YouTube.

Filmado em fevereiro e março daquele ano, o documentário reúne depoimentos de 19 estudantes da turma pioneira, registrados em suas próprias residências. Em relatos marcados pelas lembranças e pela relação afetiva com o lugar onde viveram, os participantes contam como conheceram o projeto, recordam os encontros nos Círculos de Cultura e as aulas e refletem sobre as transformações proporcionadas pela alfabetização. A produção recupera histórias de homens e mulheres do campo que participaram de uma experiência decisiva para a educação brasileira. Os relatos recuperam os desafios enfrentados por homens e mulheres do campo no Sertão nordestino de meados do século passado. A produção também conta com a participação do poeta cordelista Hailton Mangabeira e do músico potiguar Carlos Zens.

Livro resgata memórias dos alunos de Paulo Freire em Angicos/Foto: Eduardo Mendonça

Livro – A iniciativa teve continuidade com o livro 40 Horas de Angicos: memórias dos alunos de Paulo Freire no RN, publicado em 2022, na versão impressa, e em 2023, pela Editora da UFERSA (EdUFERSA). Assinada pelos jornalistas Higo Lima, Passos Júnior e Renata Jaguaribe, a obra reúne crônicas construídas a partir dos relatos dos mesmos 19 participantes, com base em mais de sete horas de gravações, documentação e arquivos públicos.

Os textos contextualizam a realidade de Angicos, a metodologia de alfabetização, a relação dos estudantes com Paulo Freire, a interrupção do projeto após o Golpe Militar de 1964 e os efeitos da experiência na vida dos participantes. Ao transformar os depoimentos em registros escritos, o livro amplia as possibilidades de acesso a essas histórias e contribui para que as lembranças dos antigos alunos permaneçam disponíveis às novas gerações.

Outra iniciativa é a exposição fotográfica Memórias de 1963: o legado das 40 Horas de Angicos, organizada pela ASSECOM UFERSA. A mostra coloca em evidência os estudantes e suas próprias falas sobre a experiência, reafirmando o protagonismo daqueles que vivenciaram o projeto e reconhecendo o valor de suas memórias para a compreensão do legado freireano.

Exposição – O reconhecimento da importância dos participantes também motivou a criação da Comenda Mérito Paulo Freire. A proposta foi articulada pela ASSECOM, pela direção do Campus Angicos e pela coordenação do Memorial Paulo Freire e aprovada por unanimidade pelo Conselho Universitário (Consuni), instância superior da UFERSA.

A honraria destina-se a pessoas vivas ou in memoriam que tenham prestado relevantes serviços à Educação Popular, com atuação na promoção do pensamento crítico, na democratização do conhecimento, na inovação das práticas educativas, na melhoria da qualidade da educação e no enfrentamento das desigualdades sociais, conforme os princípios da pedagogia freireana.

Na primeira edição, realizada em 5 de abril de 2023, durante Assembleia Universitária Extraordinária no adro do Memorial Paulo Freire, em Angicos, foram homenageados os 19 estudantes que integram o documentário e o livro produzidos pela Universidade. A homenagem reconheceu os homens e as mulheres cujos relatos ajudam a manter viva a história das 40 Horas.

Memorial paulo Freire, UFERSA Angicos/Foto: Eduardo Mendonça

Memorial Paulo Freire: um espaço de formação e cultura

No Campus Angicos, o Memorial Paulo Freire amplia esse compromisso ao articular preservação da memória, formação, interação social e produção cultural. Sua proposta reúne as dimensões de museu, centro de formação e centro de cultura, com ações de ensino, pesquisa e extensão voltadas à memória do educador e do povo do semiárido potiguar.

Fundamentado nos princípios da Educação Popular e em uma perspectiva de transformação social, o Memorial busca aproximar a universidade da comunidade e valorizar a diversidade de saberes, experiências e práticas educativas. O espaço também contribui para manter Angicos como referência na história da alfabetização de jovens e adultos e na trajetória de Paulo Freire.

Exposição As mãos que escreveram Angicos/Foto: Eduardo Mendonça

Essa atuação ganhou novo destaque em setembro de 2026, com a exposição As mãos que escreveram Angicos, apresentada no Memorial Paulo Freire. A mostra reúne histórias relacionadas aos participantes das 40 Horas e reforça a importância de reconhecer as pessoas que deram vida à experiência.

Com o reconhecimento estadual, as iniciativas desenvolvidas pela UFERSA encontram um novo contexto de valorização. O documentário, o livro, as exposições, a comenda e o Memorial constituem diferentes caminhos para preservar e compartilhar essa história. Mais do que recordar um projeto de alfabetização realizado em 1963, o trabalho mantém acessíveis as vozes de seus participantes e contribui para que a experiência de Angicos continue presente na memória coletiva e nas reflexões sobre a educação brasileira.