
Equipes de pesquisadores da Ufersa e da Universidade da Flórida durante reunião para Acordo de Cooperação Técnica e Científica. Foto: cedida.
A Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA) e a Universidade da Flórida, nos Estados Unidos, iniciaram articulações para uma cooperação científica voltada à cultura do maracujazeiro. A aproximação ocorreu durante reunião que contou, pela UFERSA, com a participação do vice-reitor Nildo da Silva Dias, do professor Eudes de Almeida Cardoso e do professor Victor Azevedo, da Assessoria de Relações Internacionais. Pela Universidade da Flórida, participaram o professor Ali Sarkhosh e pesquisadores de pós-doutorado de sua equipe.
Durante o encontro, o professor Eudes Cardoso, titular da disciplina de Fruticultura, apresentou os resultados das pesquisas com o porta-enxerto “UFERSA BRSRM 153”, desenvolvido a partir de Passiflora foetida L. para utilização na cultura do maracujazeiro. Porta-enxerto é a denominação dada a uma planta que apresenta tolerância ou resistência a fatores bióticos e abióticos, como patógenos habitantes do solo, salinidade, estresse hídrico, e que suporta outra planta susceptível.
Entre as principais características apresentadas está a resistência à fusariose. Em avaliações realizadas em área com histórico da doença em Mossoró, o UFERSA BRSRM 153 foi classificado como resistente. Estudos conduzidos pela equipe também indicaram tolerância à salinidade da água de irrigação de até 6,0 dS m⁻¹, além de potencial de produção sob condições de estresse hídrico e salino.
O porta-enxerto já foi avaliado em diferentes regiões brasileiras e está registrado no Registro Nacional de Cultivares (RNC), do Ministério da Agricultura e Pecuária, sob o nº 5498, desde julho de 2023.
Acordo de Cooperação Técnica e Científica
Os resultados despertaram o interesse do professor Ali Sarkhosh e de sua equipe em razão dos problemas associados ao gênero Fusarium, também enfrentados na produção de maracujá na Flórida. A proposta é avaliar o porta-enxerto desenvolvido pela UFERSA nas condições locais, verificando sua adaptação, resistência à doença e desempenho agronômico.
Como encaminhamento, as duas universidades deverão avançar na formalização de um Acordo de Cooperação Técnica e Científica, que poderá envolver pesquisas conjuntas, intercâmbio de pesquisadores e formação de recursos humanos.
A convite do professor Ali Sarkhosh, o pesquisador da UFERSA deverá realizar uma visita técnica à instituição americana para conhecer as áreas de produção e as condições de ocorrência da fusariose, além de discutir o protocolo experimental e as próximas etapas da pesquisa.
Para o vice-reitor Nildo Dias, a aproximação demonstra o potencial de internacionalização das pesquisas desenvolvidas pela UFERSA.
“É uma oportunidade de levar uma tecnologia desenvolvida na UFERSA para validação em condições internacionais e, ao mesmo tempo, estabelecer uma cooperação que envolva pesquisa, inovação e formação de recursos humanos. É exatamente esse tipo de parceria que buscamos ampliar no processo de internacionalização da Universidade”, destacou.
