Em mais uma noite de emoção e realização, a Universidade Federal Rural do Semi-Árido (Ufersa) outorgou grau a 105 novos profissionais no ginásio do campus de Pau dos Ferros, em cerimônia realizada nesta quinta-feira, 20. Os concluintes integram as turmas de Arquitetura e Urbanismo, Engenharia Ambiental e Sanitária, Engenharia Civil, Engenharia de Computação, Engenharia de Software, Bacharelado Interdisciplinar em Ciência e Tecnologia e Bacharelado em Tecnologia da Informação. O reitor Rodrigo Nogueira de Codes presidiu a sessão solene.
A mesa de honra reuniu os principais gestores da instituição. O reitor compareceu acompanhado da paraninfa geral das turmas, a professora Daniela de Freitas Lima, do Departamento de Engenharias e Tecnologia. O diretor do campus Pau dos Ferros, Glaydson Francisco Barros de Oliveira, a vice-diretora Kytéria Sabina Lopes de Figueredo, e a pró-reitora adjunta de graduação, Rejane Tavares Botrel, participaram do evento. Diretores de centros e dos campi de Angicos, Samuel Oliveira de Azevedo, e Caraúbas, Simone Maria da Rocha, também integraram a mesa diretiva, ao lado de coordenadores de curso e representantes da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN) e do Instituto Federal de Ciência e Tecnologia (IFRN).

Composição da mesa para a colação de grau das turmas da Ufersa Pau dos Ferros – Foto: Eduardo Mendonça
Em seu discurso, o Reitor Rodrigo Codes destacou o significado da colação de grau para os estudantes ao anunciar a aprovação da universidade no programa Universidades Transformadoras, do Ministério da Educação (MEC), que prevê a criação de novos cursos de graduação nas unidades acadêmicas. A medida vai garantir novos cursos de graduação nas diversas unidades acadêmicas. O Reitor destacou o impacto da formação superior na vida dos recém-formados e o peso institucional dessa conquista. “Vocês não estão apenas recebendo um diploma. Vocês estão se formando em uma instituição que vem consolidando, falo destes últimos dois anos, como um verdadeiro motor de transformação social e econômica”, disse.
O desempenho científico da instituição ganhou destaque durante o pronunciamento do Reitor com a lembrança de que a universidade lidera o ranking do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) em número de depósitos de programas de computador. O dirigente aconselhou os formandos a usarem o conhecimento gerado na região para mudar a realidade do bioma da caatinga e detalhou os indicadores tecnológicos alcançados pela comunidade acadêmica. “De nossas 386 propriedades intelectuais, 155 foram geradas apenas no último ano, batendo recordes históricos de patentes e garantindo o primeiro registro de desenho industrial de nossa história”, completou.
O diretor do campus Pau dos Ferros, Glaydson Barros, destacou que a melhoria dos espaços e a aquisição de equipamentos têm como finalidade principal o estudante. Em sua fala, citou o educador Paulo Freire para incentivar uma postura crítica entre os jovens e recomendou que o conhecimento seja aplicado na resolução de demandas coletivas. “Não estudem apenas para conseguir um emprego. Estudem para compreender. Estudem para questionar. Estudem para criar. Estudem para resolver problemas. Estudem para melhorar a vida das pessoas”, afirmou.
O gestor recorreu à literatura para transmitir um conselho aos egressos, lembrando a relação entre os personagens Zezé e Portuga, da obra O Meu Pé de Laranja Lima de José Mauro de Vasconcelos. Glaydson pediu que os recém-formados ofereçam atenção e escuta no ambiente profissional e orientou as turmas a manterem a esperança diante das incertezas do mercado de trabalho. “Saiam daqui hoje não apenas com um diploma. Saiam com gratidão. Saiam com esperança. E, sobretudo, saiam com a disposição de construir um futuro que talvez ainda não tenha nome, mas que será definido pelas escolhas de vocês”, afirmou.
A paraninfa geral, Daniela Lima, destacou sua própria trajetória como egressa da Ufersa em Pau dos Ferros, nos cursos de Ciência e Tecnologia e Engenharia Civil. Durante sua fala, mencionou os discentes que dividiram a rotina de trabalho com as aulas e ressaltou o esforço das mães estudantes na busca pelo diploma. “Lembro-me, com admiração, das estudantes mães, que precisaram abdicar de momentos preciosos ao lado de seus filhos, superando desafios para estar aqui hoje, mostrando a força que existe na união entre o amor materno e a busca por um sonho”, afirmou.
Daniela pediu sensibilidade aos novos profissionais e descreveu a universidade pública no semiárido como um divisor de águas capaz de gerar oportunidades por meio de políticas de assistência estudantil. A professora ressaltou o papel social da instituição e orientou os egressos a valorizarem a empatia acima das competências estritamente técnicas. “Ao planejar as estruturas de uma cidade, preservar ecossistemas, desenvolver sistemas complexos ou criar a arquitetura que acolhe vidas, lembrem que a maior habilidade que vocês levam daqui não está apenas nos conhecimentos técnicos ou nos códigos, está na empatia”, concluiu.
Oséias Fernandes da Silva, orador oficial da solenidade, iniciou seu discurso lembrando que já havia ocupado a mesma função quando concluiu o curso de Ciência e Tecnologia. O retorno ao posto foi motivo de surpresa para seus pais, que não sabiam que ele repetiria o feito. Representando as turmas, destacou a diversidade das formações reunidas no ginásio e ressaltou que todos os concluintes compartilham a missão de transformar problemas em soluções práticas.
Recebendo o grau de Bacharel em Engenharia Civil, o Oséias defendeu o trabalho conjunto entre diferentes áreas e observou que as demandas atuais exigem profissionais capazes de integrar conhecimentos para o desenvolvimento estrutural e tecnológico da região. “Porque os problemas que se encontrarem daqui pra frente não estarão separados por disciplinas. A sociedade não funciona desse jeito. E uma cidade precisa de infraestrutura, mas também precisa de tecnologia, precisa de planejamento, mas também precisa de sustentabilidade”, afirmou.
A cerimônia reservou um momento para reconhecer o apoio das famílias ao longo da graduação, com discurso da formanda Geovanna Vitoria de Brito Pontes, do Bacharelado Interdisciplinar em Ciência e Tecnologia. Em sua fala, a concluinte narrou o sacrifício da mãe e do avô para ilustrar a importância da base familiar, estendendo o agradecimento aos parentes de todos os concluintes. “Hoje vocês podem olhar para seus filhos e sentir o orgulho de tudo que conquistaram. Mas saibam que o maior orgulho da vida deles também são vocês. Vocês são parte da conquista, parte da história e, para muitos de nós, nossa maior inspiração. Muito obrigada por tudo. Em nome de todos os formandos, parabéns também para vocês. Essa vitória é nossa, mas também é de vocês”, declarou.
Na sequência, a solenidade prosseguiu com o juramento protocolar, conduzido pela concluinte Edite Helen Costa Coelho. Ao ler o compromisso ético, ela assumiu o dever de aliar o trabalho técnico à preservação rigorosa da natureza, reforçando o papel social e ambiental da profissão.
A reitoria entregou láureas acadêmicas aos discentes com melhor rendimento global, reconhecendo o esforço e a dedicação ao longo do curso. Stephany Hannele Morais Magalhães, Gustavo Alves Mendes, Geísa Morais Gabriel, Danúbia Aniele Fernandes de Aquino e Kayc Herderson Morais Leite receberam a condecoração oficial. Em seguida, a formanda Maria Eduarda Lopes Ferreira requereu a outorga de grau em nome de todos os presentes. O reitor conferiu o título aos sete grupos de concluintes e encerrou a sessão solene.
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