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Comunicação

Livro cria ponte entre ciência e fiscalização para elevar padrão do pescado no Brasil

Inovação, Pesquisa, Publicações, Sem categoria 28 de maio de 2026. Visualizações: 46. Última modificação: 28/05/2026 14:00:41

A modernização industrial e a segurança dos alimentos no Brasil ganham reforço com o livro “Inspeção e Controle de Qualidade na Indústria do Pescado”, recém-lançado pela Editora Atheneu sob a coordenação do pesquisador Alex Augusto Gonçalves, professor do Departamento de Ciências Animais (DCA) da Universidade Federal Rural do Semi-Árido (Ufersa). O lançamento expande uma iniciativa iniciada em 2011, quando o primeiro estudo do autor, “Tecnologia do Pescado: Ciência, Tecnologia, Inovação e Legislação”, conquistou o Prêmio Jabuti na categoria de Tecnologia e Informática.

Com uma trajetória na área de oceanologia que começou em 1989, inspirada pelo legado de referências nacionais como os professores Masayoshi Ogawa e Marília Oetterer, Gonçalves traz na bagagem a experiência obtida no Canadá com a tecnologia do ozônio, ação oxidante que elimina bactérias e aumenta a durabilidade dos alimentos. Para dar vida aos capítulos da nova obra, o especialista uniu os esforços de pesquisadores universitários, profissionais de plantas industriais e técnicos da fiscalização sanitária.

Projetado para responder aos desafios logísticos e estruturais enfrentados por barcos e indústrias no país, o livro serve como bússola para a modernização da atividade. Suas páginas detalham os passos fundamentais para elevar os sistemas de controle ao padrão global, preparando o mercado nacional para atender às rígidas regras de exportação e conquistar novos clientes lá fora.

Em termos de regulamentação, o texto detalha o alinhamento das indústrias ao Codex Alimentarius, espécie de constituição internacional que protege a saúde dos consumidores através de diretrizes globais. O volume prepara o setor para conceitos modernos de segurança global, como as exigências de Food Defense (proteção contra sabotagens) e o combate ao Food Fraud (fraudes em alimentos), além da aplicação direta do Regulamento de Inspeção Industrial e Sanitária de Produtos de Origem Animal (Riispoa), cartilha que dita os parâmetros da fiscalização em território brasileiro. Essas normas estabelecem critérios rigorosos de higiene e rastreabilidade do início ao fim do processo, desde a captura até a venda final.

O livro projeta a indústria para o futuro ao unir segurança dos alimentos, tecnologia avançada e responsabilidade ambiental. Além de destrinchar o sistema de Análise de Perigos e Pontos Críticos de Controle (APPCC), mecanismo focado em prevenir contaminações biológicas ou químicas na produção, o texto mostra como ferramentas de inteligência artificial antecipam problemas sanitários e otimizam as auditorias governamentais. Alinhada às demandas ecológicas globais, a publicação também abraça a economia circular, defendendo o desperdício zero por meio de métodos práticos para processar descartes comuns, como cabeças e escamas, e transformá-los em coprodutos comerciais rentáveis.

Criar um volume totalmente independente para esse assunto foi uma decisão tomada durante as revisões de um manual anterior da instituição potiguar. A publicação original sobre tecnologia do pescado cresceu tanto nas edições de 2011 e 2021 que a equipe identificou a necessidade de um tomo focado exclusivamente na complexidade da fiscalização sanitária, resultando no lançamento atual em maio de 2026.

De acordo com Alex Gonçalves, disciplinas de graduação e pós-graduação voltadas a áreas como Engenharia de Aquicultura, Medicina Veterinária, Nutrição e Gastronomia já adotam o referencial teórico em suas grades. Planejado sob medida para suprir a escassez de literatura especializada em biossegurança e rastreabilidade digital dentro da realidade brasileira, o material consolida de forma definitiva a união entre o conhecimento acadêmico e as demandas práticas do mercado.

“Espero sinceramente que estas obras possam contribuir para pesquisas acadêmicas, atividades em plantas industriais, programas de controle de qualidade, programas de autocontrole nas embarcações pesqueiras, ações de fiscalização e para a formação de novos profissionais comprometidos com o desenvolvimento sustentável da cadeia produtiva do pescado no Brasil”, reforça Gonçalves.