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Comunicação

Coletivo Negras celebra trajetória de dez anos e reafirma luta antirracista

Extensão, Inclusão 5 de dezembro de 2025. Visualizações: 259. Última modificação: 05/12/2025 13:56:35

Seminário trouxe o tema “Mulheres Negras e Racismo Institucional: avanços e desafios nas políticas de ações afirmativas para o acesso e permanência na educação”/Foto: Analice Sousa

O auditório lotado, as cores, os tambores e as vozes quilombolas vindas de Portalegre traduziram o significado de uma década de caminhada. O II Seminário Linguagem, Educação e Antirracismo, promovido pelo Coletivo Negras da UFERSA, celebrou 10 anos de atuação contínua no enfrentamento ao racismo e na promoção da educação antirracista. Realizado com apoio da PROEC, do CCSAH e do Departamento de Ciências Humanas, o encontro reuniu estudantes, professoras, quilombolas, gestoras públicas e visitantes.

Com o tema “Mulheres Negras e Racismo Institucional: avanços e desafios nas políticas de ações afirmativas para o acesso e permanência na educação”, o seminário reforçou o papel do Coletivo Negras como espaço de militância, acolhimento e formação política dentro e fora da universidade. Ao longo de dez anos, o grupo tem contribuído para a inserção de estudantes negras na graduação, na pós-graduação e nos espaços de liderança comunitária.

Coordenadora do Coletivo Negras, professora Ady Canário, apresenta resultados obtidos pelo Coletivo de Mulheres Negras da Ufersa/Foto: Analice Sousa

Para a coordenadora do coletivo, professora Ady Canário, o maior balanço dessa trajetória está na transformação das estudantes. “Temos a autonomia das alunas, a inserção na pós-graduação e hoje o que chamamos de pós-permanência. Já temos mulheres que entraram na graduação, tornaram-se mestres e hoje atuam profissionalmente, inclusive dentro da pauta da promoção da igualdade racial”.

A professora destaca ainda a atuação contínua junto às comunidades. “O projeto atende escolas, quilombos, promove rodas de diálogo e oficinas. Nosso cronograma é anual, de janeiro a dezembro. Para participar, basta nos procurar no Departamento de Ciências Humanas ou nas redes sociais do Coletivo Negras”.

Reitor da UFERSA, professor Rodrigo Codes, ressalta importância do Coletivo Negras/Foto: Assecom

A relevância do seminário foi ressaltada pelo reitor da UFERSA, professor Rodrigo Codes, que situou o evento no contexto da Primeira Semana Universitária. “A universidade está vibrante. Este seminário integra ações de ensino, pesquisa, extensão, inovação e cultura. Parabenizo pelo importante evento, que fortalece nosso compromisso com a diversidade”.

Ele lembrou ainda o impacto das políticas afirmativas. “Queremos uma universidade diversa e plural. Agora temos cotas específicas para quilombolas, além das já existentes para pretos, pardos e indígenas. São ações fundamentais para atrair e garantir o acesso dessas populações à universidade”.

A força da ancestralidade ganhou forma na apresentação do Grupo Cultural Negritude Serrana, de Portalegre, com o espetáculo “Corpos que falam, batuques que cantam”, que levou dança, poesia, maculelê, capoeira e ritmos tradicionais ao palco. Cada gesto, como diz o grupo, é memória, e cada batida é história.

Bianca trouxe caravana de quilombolas/Foto: Analice Sousa

A gestora da Igualdade Racial de Portalegre, Bianca Sereno, trouxe uma caravana de mulheres quilombolas para o seminário. Emocionada, afirmou: “Fiz questão de trazer o nosso povo. É nesses espaços que construímos políticas públicas e transformamos vidas. O município está comprometido com nossa ancestralidade e com a luta pela igualdade racial”.

Beatriz projeta entrar na Universidade/Foto: Assecom

As histórias de vida das egressas da LEDOC e integrantes do Coletivo mostraram o alcance das ações do grupo. Neuza Lins contou que foi na universidade que se reconheceu como mulher negra e quilombola: “Eu não me reconhecia como militante. Aqui me identifiquei, me aceitei. A mulher negra empoderada que sou hoje nasceu na universidade”. Atualmente orientadora social, ela representa o município no Selo Unicef. Já Ana Kelly, uma das fundadoras do coletivo, resumiu o sentimento deste momento. “É uma realização coletiva e pessoal. O Coletivo Negras iniciou pesquisas, visibilizou outras, inspirou novos grupos. Foi o pontapé para que outros coletivos surgissem no estado”.

A potência das novas gerações também esteve presente. A adolescente quilombola Júlia Beatriz, do Sítio Pêga, emociona ao falar sobre identidade: “Para mim é um orgulho representar nossa cor, nossa origem. A universidade valoriza isso. Um dia, quero estar aqui”. Celebrando conquistas, refletindo desafios e projetando o futuro, o seminário reafirmou o que o Coletivo Negras simboliza para a UFERSA e para o território: voz, pertencimento, luta e a certeza de que educação antirracista se faz com presença e permanência. Uma década se completa e muitas ainda estão por vir.