Início do cabeçalho do portal da UFERSA

Comunicação

Consciência negra: publicações enfrentam o racismo

Publicações 12 de novembro de 2025. Visualizações: 286. Última modificação: 12/11/2025 13:49:39

Em alusão ao Dia da Consciência Negra, celebrado em 20 de novembro, a Editora da Universidade Federal Rural do Semi-Árido (EdUFERSA) destaca a cartilha Combate às práticas de racismo em tempos de pandemia”, uma publicação digital lançada em 2022 e organizada por Ady Canário de Souza Estevão, Ana Maria Bezerra Lucas e Auristela Crisanto da Cunha. A obra propõe uma reflexão crítica sobre o racismo estrutural e colonial ainda presente na sociedade brasileira, sobretudo em contextos de crise, como o vivenciado durante a pandemia da Covid-19.

O material ressalta que, apesar das conquistas obtidas por meio de muita luta e resistência da população negra, ainda há um longo caminho a ser percorrido para a consolidação da equidade racial. A cartilha busca contribuir para esse avanço por meio da “decolonialidade cognitiva”, conceito que estimula uma virada de perspectiva na forma de produzir e compartilhar conhecimento, valorizando a diversidade intelectual, didática e cultural. A cartilha está disponível gratuitamente no site da editora: https://livraria.ufersa.edu.br/combate-as-praticas-de-racismo-em-tempos-de-pandemia

 

PRETO NÃO VAI PRO CÉU – Com quase meio século de militância no combate ao racismo, o professor

Version 1.0.0

aposentado da UFERSA, Carmelindo Rodrigues, lança neste 20 de novembro, Dia da Consciência Negra, o livro “Preto não vai pro céu…”, publicado de forma independente pela plataforma Amazon. A obra, de 114 páginas, representa um testemunho vigoroso e necessário sobre o racismo no meio cristão e evangélico, combinando reflexão pessoal, análise histórica e crítica teológica.

“Eu tenho quase 50 anos de militância no combate ao racismo. Comecei no final dos anos 1970, ainda estudante em Piracicaba (SP), quando fundei o movimento contra o racismo universitário na Universidade Metodista de Piracicaba”, relembra o autor. Desde então, Carmelindo percorreu uma trajetória marcada pelo ativismo e pelo compromisso com a igualdade racial da atuação na Igreja Metodista, como coordenador regional e nacional de combate ao racismo, à presidência da Comissão Permanente de Heteroidentificação da UFERSA, função que exerceu por cinco anos até sua aposentadoria.

Professor Carmelindo Rodrigues/Foto: Cedida

O professor afirma que a publicação nasceu de um chamado. “Depois que me aposentei, comecei a receber cobranças para escrever sobre minha experiência. Ainda existe racismo no meio evangélico, e eu senti que era hora de dialogar com esse público de forma direta, mas amorosa”.

“Preto não vai pro céu…” não se limita ao público religioso. Em linguagem acessível, o livro entrelaça memória, espiritualidade e crítica social, propondo uma leitura que também interessa à academia e a todos que se dedicam à luta contra o racismo estrutural. A obra já recebeu pareceres literários favoráveis de duas editoras e tem despertado atenção por seu tom firme, porém conciliador, que busca provocar reflexão sem romper pontes.

De acordo com a resenha, o livro “contribui de forma significativa para a compreensão das relações complexas entre o cristianismo evangélico e o racismo no Brasil”. Ao integrar experiências pessoais, revisões históricas e análises teológicas, Carmelindo propõe uma leitura crítica das instituições religiosas, sem perder de vista o horizonte de transformação. “Um retorno sincero aos ensinamentos de Cristo demandará o combate firme ao racismo em todas as suas formas”, afirma o texto.

O lançamento de “Preto não vai pro céu…” ocorre em um momento simbólico, reafirmando a importância de discutir o racismo também dentro das comunidades de fé. Para Carmelindo, a obra é um convite à autocrítica e à reconstrução de uma espiritualidade verdadeiramente igualitária.

Preto não vai pro céu…: Uma reflexão sobre o racismo em igrejas evangélicas
https://a.co/d/4EGLZVv