Início do cabeçalho do portal da UFERSA

Comunicação

Paulo Freire: quando a esperança invade as ruas e a cultura popular ocupa a universidade

Campus Angicos, Ensino, Eventos 2 de setembro de 2025. Visualizações: 656. Última modificação: 02/09/2025 14:10:05

Arte divulgação com a programação que abre no dia 17, quarta-feira, às 17h, com o Cortejo Cultural: tecendo esperanças no sertão, prosseguindo com uma vasta programação na sexta-feira, dia 18/Arte: Memorial Paulo Freire

O sertão de Angicos vai se transformar em palco de celebração, memória e resistência nos dias 17 e 18 de setembro, durante o II Seminário Paulo Freire: 104 anos tecendo inéditos-viáveis, sonhos coletivos e esperanças libertadoras, promovido pelo Memorial Paulo Freire da Ufersa. O evento pretende extrapolar os muros da universidade e abraçar a comunidade, trazendo para o ambiente acadêmico a força da cultura popular, tão presente no legado do educador pernambucano.

Para a professora Juliana da Rocha e Silva, coordenadora do Memorial e uma das organizadoras, a proposta é tornar o seminário um espaço vivo de encontros. “É um evento gratuito que vai dar visibilidade aos mestres da cultura popular. A nossa ideia foi sair da universidade e vir até a comunidade, ou levar a comunidade até a universidade. Resgatar Paulo Freire é também resgatar toda a sua obra e dar visibilidade ao seu nome, já que aqui em Angicos ainda há muito por fazer nessa parte da história da educação”, afirma.

Cortejo, busto e círculos de cultura – A programação abre no dia 17, às 17h, com o Cortejo Cultural: tecendo esperanças no sertão. Escolas, coletivos, movimentos sociais, artesãos, poetas e poetisas da cidade se juntam em um grande desfile festivo que contará com banda marcial, boneco gigante de Paulo Freire e performances artísticas em pontos estratégicos. “Queremos mobilizar a cidade. Vai ser um momento bonito, de música, poesia e encontro, como Freire gostava. É o sertão celebrando a si mesmo e o seu lugar na história da educação”, projeta a professora Juliana.

Fachada do Memorial Paulo Freire vai receber pintura artística do artesão angicano Marquinhos/Foto: Eduardo Mendonça

Também na ocasião será inaugurada a pintura da fachada do Memorial Paulo Freire com uma obra do artesão angicano, José Marcos Rodrigues. “Me senti muito feliz e honrado em participar de um evento tão importante. É uma alegria imensa estar podendo participar e contribuir com a minha arte na fachada do Memorial Paulo Freire”, afirmou. Marquinhos, como é mais conhecido em Angicos, adiantou que a ideia é trazer o sertão ao fundo com a sua terra árida, sua vegetação e, a figura do professor Paulo Freire, com uma frase que remeta ao seu trabalho aqui em Angicos.

Ainda na quarta-feira, às 18h, será inaugurado o busto de Paulo Freire no Memorial, fruto de uma luta coletiva do Núcleo de Estudos Freireanos em parceria com o Governo do Estado e artesãos locais. Em seguida, às 19h, a primeira conferência do seminário terá como tema Educador em permanente incompletude, com o professor Alessandro Augusto de Azevedo (UFRN), mediada pela própria professora Juliana Rocha.

No dia seguinte, 18 de setembro, um dos momentos mais simbólicos será o Café com os ex-alunos da Experiência de Angicos, previsto para as 8h. Sobreviventes daquela vivência histórica de 1963, quando Paulo Freire alfabetizou em 40 horas trabalhadores e trabalhadoras rurais, os ex-alunos hoje têm, em média, 80 anos de idade. “Esse encontro é um dos pontos altos do seminário. São poucos os remanescentes da experiência freireana, mas que carregam uma memória viva e afetiva, uma herança que precisamos valorizar e escutar”, destaca o jornalista Passos Júnior, um dos autores do livro 40 Horas de Angicos: memória dos alunos de Paulo Freire no RN, pela Editora da Ufersa, em 2022.

A manhã segue com o Círculo de Cultura: Educação e Resistência, que terá a presença de uma delegação da Universidade Federal do Paraná. À tarde, de 14h às 16h, os participantes poderão escolher entre ateliês de cultura popular: teatro, artesanato, bordado, medicina popular, expressividade corporal e artes gráficas. Uma das oficinas traz como tema a medicina popular com a artesã,

Dona Raimunda vai ministrar Oficina de Medicina Popular/Foto: Cedida

Dona Raimunda da Silva é uma das artesãs convidadas para ministrar oficina de medicina popular. “Minha oficina é de garrafadas e lambedores de várias qualidades, para diabetes, infecção, gripe, que eu já faço há muito tempo”, adiantou a senhora assegurando que a medicina popular cura. A ideia é “valorizar os mestres da cultura popular e promover trocas entre saberes acadêmicos e comunitários”, explica a coordenadora do Memorial Paulo Freire, professora Juliana.

O encerramento do seminário acontecerá em clima de festa popular, às 19h do dia 18, na Praça José da Penha. A programação inclui a exibição do documentário “Fonemas da Liberdade”, de Catherine Murphy, cineasta vencedora do Festival de Gramado 2025, com o filme documentário “Lendo o Mundo”, que aborda também o trabalho do educador Paulo Freire, além de apresentações culturais da Cia Teatral do Educlin, com o Teatro do Oprimido, e o show musical “Viola na Praça”, de Felipe Ferreira (FJA-RN).

Antes, às 16h30, haverá a conferência de encerramento com o tema Educação Popular e Universidade como espaços de resistência, conduzida pelos professores Luiz Gomes da Silva Filho (Ufersa/Mossoró) e Maria Ghisleny de Paiva Brasil (Ufersa/Caraúbas). Confira AQUI programação na íntegra.