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Comunicação

Pesquisa utiliza plataforma de ciência cidadã e descreve local de refúgio de 378 espécies de anfíbios

Meio Ambiente, Pesquisa 22 de setembro de 2022. Visualizações: 151. Última modificação: 22/09/2022 09:48:35

Sapo-martelo, também conhecido como sapo-ferreiro (Boana Faber), pode ser encontrado no Brasil, na Argentina e no Paraguai (foto: Pedro Hamilton Oliveira/iNaturalist/cedida)

Utilizando fotos produzidas por voluntários e disponibilizadas na plataforma iNaturalist, o professor Lucas Rodriguez Forti, do Departamento de Biociências da UFERSA, pôde descrever o habitat de refúgio de 378 espécies de anfíbios da América. Graças aos voluntários, 87% dessas espécies tiveram seus habitats de refúgio conhecidos pela primeira vez. O trabalho, produzido juntamente com outros cinco colegas, foi publicado na edição mais recente da Revista Zoology. “Em nosso artigo mostramos que o clima regional e a relação de parentesco entre as espécies são importantes fatores que determinam os habitats utilizados por esses animais para se abrigarem”, diz Lucas Forti.

Artigo disponível em inglês.

Outro ponto trazido pelo estudo fala sobre o comportamento de espécies em risco de extinção. “Mostramos que espécies ameaçadas e quase ameaçadas são raramente observadas em refúgios artificiais, ou seja, habitats alterados pelo homem. Nossos resultados são importantes para pensarmos sobre estratégias de conservação e também sobre os potenciais efeitos de mudanças climáticas globais sobre o uso de habitat por espécies da vida selvagem”, detalha o pesquisador.

Bokermannohyla nanuzae, uma espécie de anfíbio encontrada no Estado de Minas Gerais (foto: Alexandre Ferreira Righi/iNaturalist/cedida)

O interesse pelo tema, de acordo com o professor, surgiu durante a pandemia. “Conheci a ciência cidadã buscando alternativas metodológicas para produzir conhecimento sobre a biodiversidade. Percebi que a ciência cidadã pode ir onde muitos pesquisadores profissionais não são capazes de acessar, produzindo muito mais dados do que seria possível por meios tradicionais. No programa de pós-graduação, hoje em dia, ensino e discuto o uso dessa abordagem com alunos e colegas”. O site iNaturalist, utilizado por ele, reúne uma comunidade de mais de 2 milhões de usuários. Quem faz parte da ´plataforma pode postar e acessar fotos de plantas e animais de diferentes partes do mundo.

“Sempre trabalhei com os anfíbios, que são animais curiosíssimos, e uma das grandes inquietações da minha geração de herpetólogos era entender para onde esses animais vão quando não estão nas lagoas vocalizando e reproduzindo. Descobrir os habitats que esses animais utilizam para descansar ou escapar de condições adversas é fundamental para informar as tomadas de decisão sobre quais locais precisamos preservar para a conservação das espécies. Portanto, nesse projeto, uni essa questão central ao “trabalho” realizado por pessoas que são entusiastas da natureza e usam o aplicativo iNaturalist para compartilhar suas observações sobre a biodiversidade”, explica Lucas Forti.