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Comunicação

Antisséptico para uso animal em produções leiteiras é desenvolvido na UFERSA

Pesquisa 6 de setembro de 2022. Visualizações: 188. Última modificação: 06/09/2022 15:35:45

Professor Marlon Feijó (centro) e os pesquisadores da UFERSA Dr. Caio Sérgio (esquerda) e o mestrando Leon Denner (direita)/Foto: Ester Chagas

Em parceria com a Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), pesquisadores da Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA) desenvolveram um antisséptico para evitar inflamações mamárias em animais bovinos e caprinos. O invento já possibilitou publicações de artigos científicos em revistas internacionais de grande alcance.

Os antissépticos na produção de leite são de extrema importância para prevenir doenças no animal como a mastite, fungos e leveduras. Com o uso do produto, podem ser evitadas grandes perdas financeiras que podem ser causadas pelo adoecimento dos animais.

Antisséptico evita inflamações mamárias/Foto: Cedida

“Para que os animais não tenham mastite, existe todo um passo a passo de posição para que possam ser encaminhados para a sala de ordenha. Quando eles saem da sala de ordenha, passa-se esse antisséptico, que é o que chamamos de pós-dipping, ou seja, pós ordenha; e oferece alimentação, para que o animal fique em pé e as glândulas mamárias não tenham contato com o solo”. Explica o professor Marlon Feijó, orientador da pesquisa na UFERSA, sobre o procedimento de uso do produto.

A tintura de iodo e ácido láctico são comumente utilizados para essa função, e a pesquisa desenvolvida pela UFERSA e UFRN desejam tornar o extrato pirolenhoso (produzido a partir da fumaça vinda da queima de madeira) um produto substituto.

PESQUISA – Estudos sobre o extrato envolvendo animais estão sendo desenvolvidos no Laboratório de Microbiologia Veterinária da UFERSA desde 2017. No processo de produção, a UFRN se responsabiliza pela extração da substância base, sob a coordenação do professor Alexandre Pimenta.

“Temos uma primeira patente de 2018 à base de esponja mombin, que é o cajá, mas essa estamos desenvolvendo outros produtos como um shampoo que está sendo usado em superfícies de cães”, afirmou Marlon.

O primeiro trabalho de pesquisa na área concluído no laboratório foi o projeto de mestrado de Waleska Soares, publicado no início de 2021 com o título “Extrato pirolenhoso de jurema preta e eucalipto como antissépticos alternativos no pós-dipping de cabras leiteiras”.

Essa pesquisa possibilitou as observações de que o produto era capaz de inibir as bactérias da glândula mamária de animais caprinos, e que também a qualidade do leite não era afetada pelo seu uso, podendo ainda ser consumido pela população e pelos animais.

Bactérias em meio de culturas/Foto: Ester Chagas

PROCESSO DE DESENVOLVIMENTO – O projeto foi desenvolvido por docentes e discentes da graduação e pós-graduação de dois cursos, Medicina Veterinária e Zootecnia. No Brasil, o uso de extrato pirolenhoso, a principal substância do antisséptico, é pouco conhecido. “A fumaça para nós é só a fumaça, que vai se dispersar no ambiente. Existe muito espaço para pesquisas nesse produto”, explica Marlon Feijó.

Define-se por extrato pirolenhoso a condensação da fumaça de lenha. Na ação de queima, por exemplo, a fumaça se dispersa pelo ambiente, não tendo um aproveitamento. Para a produção deste produto, a fumaça é transformada em líquido e purificada. O resultado desta purificação é o que tem sido usado na pesquisa, o extrato pirolenhoso à base da lenha de plantas, nesse caso, da Jurema Preta ou do Eucalipto.

“No oriente, esse produto já é muito utilizado como antiparasitário e antimicrobiano, mas com as plantas de lá. Daqui, a gente nunca tinha feito”, comenta o professor sobre a falta de pesquisas na área, que possui ampla capacidade para estudos.

Dois produtos foram testados: um extrato pirolenhoso à base de Mimosa tenuiflora, planta da caatinga conhecida popularmente como Jurema Preta; e um extrato pirolenhoso à base de Eucalipto, uma planta comercial presente em todo o Brasil.

Prova bioquímica: teste para identificar espécies de bactérias através de transformações químicas/Foto: Ester Chagas

TESTES – Leon Denner é mestrando em Medicina veterinária e esteve presente na pesquisa de Waleska durante sua graduação. Ele conta que, para pesquisa, algumas cabras de um produtor do assentamento Independência receberam tratamento com o antisséptico de extrato pirolenhoso.

Após a aplicação, os pesquisadores coletaram material em suas glândulas mamárias com um swab (cotonete) para processar em laboratório. O objetivo era que na análise se notasse a redução de bactérias.

Doutor em Medicina Veterinária, Caio Sérgio atua como Técnico de Laboratório, auxiliando nos testes laboratoriais da pesquisa. “São realizados procedimentos como os testes de discodifusão e microdiluição, para testar se a bactéria é sensível ou resistente a uma substância”, explica Caio.

Assim, os pesquisadores aprendem sobre a concentração que será necessária para testar o combate à bactéria do animal. Caio afirma que “o ideal é que a gente teste sempre uma concentração menor e que seja eficiente, tanto para o melhor aproveitamento do produto, tanto para diminuir possíveis questões relacionadas à toxicidade”.

Antibiograma: teste para observar a resistência de uma bactéria a um produto exposto/Foto: Ester Chagas

O teste de Citotoxicidade – onde uma cultura de células do animal em pesquisa é exposta ao produto em desenvolvimento para notar o seu potencial tóxico –  foi realizado em parceria com o Laboratório de Biotecnologia Animal (LBA/UFERSA). “Esse extrato foi capaz de inibir a ação de uma levedura muito patogênica para humanos e animais, que é o Cryptococcus neoformans, que causa a doença criptococose”, diz Marlon sobre a substância pesquisada.

PLANOS FUTUROS – O trabalho com a Jurema Preta deve estar sendo publicado na revista britânica Animais, de alto alcance internacional. Os pesquisadores pretendem expandir os testes para outras espécies, como os animais domésticos.

Uma empresa já entrou em contato com os laboratórios para realizar o teste em massa, pois os das pesquisas foram realizados estatisticamente utilizando em torno de 30 animais. A empresa pretende testar o produto em torno de mil bovinos para a produção leiteira.