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Pesquisas potencializam plantio do alho no Rio Grande do Norte

Inovação, Pesquisa 26 de agosto de 2022. Visualizações: 275. Última modificação: 26/08/2022 10:48:59

Pesquisadora Zuleide Negreiros (à direita) se dedica a estudos com alho há mais de dez anos (foto: Rachel Amorim/Assecom)

Há mais de dez anos, a pesquisadora Zuleide Negreiros desenvolve estudos com o objetivo de trazer melhorias para a cultura do alho no Rio Grande do Norte. Servidora aposentada da UFERSA, ela acompanha o trabalho de estudantes de pós-graduação da área de Ciências Agrárias. “A gente começou em 2012 com a parceria com a Embrapa Hortaliças para justamente produzir o alho nobre na região semiárida”, conta. No dia 24 de agosto, Zuleide e uma equipe de servidores e estudantes da UFERSA estiveram na fazenda SGAgro, localizado no município de São Miguel, na região serrana do Rio Grande do Norte. No local, uma parceria com a UFERSA e a Embrapa possibilita o desenvolvimento de pesquisas com grande potencial para beneficiar pequenos produtores.

A principal pesquisa em andamento aplica uma técnica chamada de vernalização negativa. O procedimento consiste no resfriamento do alho em temperaturas negativas (de -2°C e -5°C) por cerca de dois meses antes do plantio. Assim, o bulbo irá ficar embaixo da terra por mais tempo e, consequentemente, se desenvolverá melhor, aumentando sua produtividade. A pesquisa é desenvolvida pelo estudante de pós-graduação Eric Morais, sob orientação do professor Leilson Grangeiro, do Departamento de Ciências Agronômicas e Florestais da UFERSA.

Para Daiana Carvalho, representante da SG Agro, a vernalização do alho é um marco no Estado. “A vernalização negativa se mostrou com alto potencial, e a gente já tem resultados satisfatórios para que a gente possa implantar na nossa área de produção e levar essa tecnologia para os pequenos produtores”, afirma ela.

Altitude é um dos fatores que podem interferir na qualidade do alho produzido (Foto: Rachel Amorim/Assecom)

Outro experimento que está sendo desenvolvido na fazenda é a aplicação de silício no plantio do alho. “Do ponto de vista nutricional do alho, o silício não é essencial para o desenvolvimento da planta, ou seja, mesmo na ausência desse nutriente, a planta vai conseguir completar o seu ciclo”, explica a pesquisadora Renata Torquato, aluna de doutorado do Programa de Pós-Graduação em Manejo de Solo e Água (PPMSA/UFERSA). “No entanto, ele vai apresentar diversos benefícios para a planta, dentre eles a atenuação de estresses hídricos e térmicos”, complementa.

Segundo o representante da Embrapa Hortaliças, Francisco Vilela, os resultados promissores já eram esperados, pois as pesquisas vêm sendo realizadas de forma constante na região serrana do Rio Grande do Norte. Os experimentos com alho tiveram início no município de Baraúna, e logo migraram para as regiões de Portalegre e Martins, antes de chegarem a São Miguel. “Está sendo confirmado que é perfeitamente possível produzir, inclusive, os alhos de melhor qualidade, e de melhor aceitação de mercado”, conclui Vilela.

Produção de Alho na Fazenda Experimental da UFERSA

Parte das pesquisas sobre alho são desenvolvidas na Fazenda SGAgro, localizada no município de São Miguel (foto: Rachel Amorim/Assecom)

As pesquisas com o alho também se estendem à Fazenda Experimental Rafael Fernandes, com o objetivo de avaliar variedades que se adaptem para as condições da região. Experimentos idênticos aos realizados em São Miguel estão ocorrendo no local, para verificar as diferenças no experimento causados pela variação de altitude. Dois trabalhos de iniciação científica, dois de mestrado e um de doutorado estão sendo desenvolvidos na Fazenda, localizada no distrito de Alagoinha, zona rural de Mossoró.

Temperaturas mais baixas e um maior índice de chuvas marcaram 2022 como um ano atípico, também afetando as pesquisas. Enquanto as baixas na temperatura ajudaram no desenvolvimento do alho, o excesso de umidade dificultou uma das fases de sua produção, na qual a planta necessita ficar em seca. Ainda assim, o professor Leilson Grangeiro destaca a importância da continuidade deste trabalho, uma vez que hoje, segundo ele, grande parte do alho consumido no Rio Grande do Norte é produzido em outros estados.