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Comunicação

Ufersa mantém banco experimental de material genético de espécies nativas

Pesquisa 14 de maio de 2021. Visualizações: 2175. Última modificação: 14/05/2021 14:25:31

 

Objetivo do Laboratório de Germoplasma e Conservação da Ufersa é salvaguardar material genético de alto valor zootécnico ou biológico/Foto: Cedida

O Laboratório de Conservação de Germoplasma Animal (LCGA) da Universidade Federal Rural do Semi-Árido funciona como um verdadeiro banco de material genético, desenvolvendo técnicas de reprodução assistida para a conservação de espécies selvagens nativas, algumas delas ameaçadas de extinção na Região do Semiárido Brasileiro. São animais como catetos, cutias, quatis, guaxinim, onça pintada, onça parda, preás, antas e emas, além de cães domésticos, utilizados como modelos experimentais.

O objetivo é salvaguardar material genético de alto valor zootécnico ou biológico na forma de amostras de sêmen, espermatozoides epididimários, tecido testicular, e tecido ovariano em botijões criobiológicos, fomentando a formação dos chamados Bancos de Germoplasma.

“O nosso intuito de salvaguardar tal material seria manter uma “biblioteca” de material genético guardada para, num futuro, podermos retomar este material e com ele produzir descendentes de cada uma das espécies com as quais trabalhamos, desse modo, contribuindo para a preservação de genótipos valiosos ou espécies ameaçadas”, explica o professor doutor, Alexandre Rodrigues, coordenador do Laboratório de Conservação e Germoplasma Animal da Ufersa.

Segundo o professor Alexandre Rodrigues, apesar do Brasil ser um dos países mais ricos em biodiversidade no planeta, as estratégias de conservação quase não são efetivadas. “Constantemente, temos visto nossa vida selvagem ameaçada, como por exemplo, nas recentes queimadas no pantanal ou o desmatamento na Amazônia. Mas isso acontece aqui também em nossa Caatinga, com as constantes ameaças sofridas, tais como o processo de desertificação”, explicou o professor.

A esperança é que em todo o país inúmeros pesquisadores tem se destacado por tentar frear ou impedir estes processos. “O ideal seria conservar os animais em seu próprio habitat, mas como isso nem sempre é possível, a formação do Banco de Germoplasma surge como uma alternativa auxiliar”, frisa.

A boa notícia é que o Laboratório de Conservação de Germoplasma Animal da Ufersa tem se destacado enormemente como uma referência nesta área. “Infelizmente, ainda são poucos os laboratórios que seguem essa temática no Brasil e, haja vista a grande diversidade de espécies que temos em nossa fauna precisaria de inúmeras iniciativas para efetivamente ter um efeito positivo sobre a conservação destas espécies”, considera Alexandre Rodrigues.

Professor em prática de coleta de sêmen em onça parda/Foto: Cedida

REVERSÃO DA VIDA – Dados do Instituto Chico Mendes apontam que o Brasil já conta com uma dezena de espécies de animais que foram extintas do planeta. Diante dessa situação, o professor afirma que a tecnologia para a reversão dessa realidade está em franco desenvolvimento, mas existem ainda muitos entraves técnicos para sua efetivação. “Cientificamente, este processo se chama “desextinção” e, na verdade, isso já foi tentado há alguns anos quando um grupo de cientistas europeus conseguiu produzir um descendente de uma espécie caprina selvagem já extinta, o qual infelizmente veio a óbito logo após o nascimento”, explicou.

O professor adianta que atualmente, existem pesquisas voltadas para a “clonagem” do mamute, uma espécie pré-histórica. “Estes pesquisadores estão desenvolvendo uma área chamada Paleontobiologia, na qual se estudam espécies ancestrais no intuito de compreender os fenômenos que provocaram sua extinção, e assim tentar impedir que novamente aconteçam”, ponderou. O professor Alexandre acredita que mais importante que trazer de volta uma espécie que já não mais existe no ecossistema, seria preservar as espécies que hoje estão ameaçadas, e junto com elas preservar seu habitat para garantir o futuro da biodiversidade.

DESTAQUE – A prova é que as pesquisas desenvolvidas nessa área na Ufersa tem o reconhecimento nacional e internacional. Recentemente, o professor Alexandre foi fonte de uma reportagem na Revista National Geographic.  “Realmente foi uma grande honra quando o jornalista me procurou e falou que tinha feito uma extensa pesquisa na internet a respeito de germoplasma e sempre aparecia meu nome. E no fim, a matéria ficou bem interessante, com uma linguagem acessível para o público em geral”, comentou. Confira AQUI a matéria da National Geographic.

Essa não é a primeira vez que o professor é destaque numa publicação para falar sobre as pesquisas que são desenvolvidas na Ufersa. No ano passado, por exemplo, foi capa do boletim da Associação Brasileira de Veterinários de Animais Selvagens e, há dois anos, a equipe do Laboratório de Germoplasma foi convidada por uma produtora britânica para atuar como consultores pra uma série nova da BBC. “Este anos também já fomos convidados para ministrar palestras na University of Massachussets (EUA) e Universidad del Chaco Austral (Argentina). Felizmente, nossas pesquisas tem recebido grande projeção nacional e internacional”, comemora o professor.

 HISTÓRICO – O LCGA existe desde 2007. Ao longo de sua existência tem contribuído ativamente na formação profissional de estudantes dos cursos de Medicina Veterinária, Zootecnia e Biotecnologia da Ufersa, bem como na formação de pós-graduandos em nível de mestrado e doutorado tanto do Programa de Pós-Graduação em Ciência Animal da Ufersa, quanto da Rede Nordeste de Biotecnologia – RENORBIO.

O Laboratório da Universidade tem servido como referência nacional em pesquisas voltadas para a conservação de material genético de espécies selvagens e domésticas, mantendo uma ativa parceria tanto com renomados pesquisadores nacionais da UECE, UFC, UFPA, UFMG, e UFF, como também de órgãos internacionais como a International Union for Conservation of Nature (IUCN) e o Center for Species Survival do Smithsonian Institute, Estados Unidos.

Equipe de pesquisadores atuando no CEMAS/Foto: Cedida

CEMAS – A Ufersa tem uma riqueza dentro de seu Campus chamada de Centro de Multiplicação de Animais Selvagens – CEMAS. “Provavelmente, esse é um dos únicos centros como este que existem dentro de uma universidade em todo o Brasil. Mas infelizmente, há pouco investimento”, destaca o professor. Segundo ele, falta melhoria de instalações e de condições gerais de manejo dos animais.

O professor reconhece que os constantes cortes de recursos para as universidades refletem diretamente nas pesquisas. “Temos passado por um período crítico de falta de manutenção de equipamentos, ou mesmo incapacidade de aquisição de novos aparelhos que possam nos possibilitar dar saltos mais importantes em nossa pesquisa”, frisou ao reconhecer que as universidades passam por um momento crítico de âmbito nacional e internacional. “Infelizmente, carecemos de subsídios para o avanço científico não só na minha área, mas em muitas das áreas nas quais a Ufersa se destaca”, lamentou.

Mesmo diante de todas as dificuldades agravada ainda mais com a pandemia do novo Coronavírus, o professor garante que as pesquisas realizadas no Laboratório de Conservação de Germoplasma Animal não pararam. “Temos inúmeros compromissos com as instituições parceiras, nossas pesquisas não puderam parar. Assim, com todas as medidas de biossegurança e autorização de nosso Centro, pudemos continuar em um ritmo reduzido”. Ele diz que de modo geral, apesar dos atrasos, os pesquisadores têm conseguindo dar andamento aos trabalhos.

Prof. Dr. Alexandre Rodrigues/Foto: Cedida

PESQUISADOR – O professor Alexandre Rodrigues é Médico Veterinário, formado pela Universidade Estadual do Ceará, em cujo Programa de Pós-Graduação em Ciências Veterinárias concluiu o Mestrado e Doutorado. Desde a pós-graduação, ele trabalha com conservação de germoplasma animal, inclusive, foi o tema da tese de doutorada sobre o desenvolvimento de métodos para criopreservação do germoplasma de cães domésticos, tendo sido agraciada com o Prêmio CAPES 2006 de Melhor Tese do Brasil na área de Medicina Veterinária.

Em 2016, já como docente da Ufersa foi orientador de uma tese sobre conservação do germoplasma de animais selvagens, agraciada com a Menção Honrosa no Prêmio CAPES 2016. Atualmente, o Dr. Alexandre Rodrigues atua como docente, integrando o quadro do Departamento de Ciências Animais. O professor também é pesquisador de Produtividade do CNPq desde 2009, atualmente no Nível 1C, além de membro-diretor do Colégio Brasileiro de Reprodução Animal, principal órgão nacional que atua na área.

Com mais de 200 artigos científicos em periódicos nacionais e renomados periódicos internacionais, é autor de sete capítulos de livros dentre os quais 04 internacionais, e editor de um dos livros de maior visibilidade dentro da Medicina Veterinária – Reprodução de Cães.