
Estudantes da Licenciatura do Campo da Ufersa discutem situações de preconceitos contra a população LGBT/Foto: Eduardo Mendonça
Gays, lésbicas, travestis, transexuais. Não importa a denominação, mas vencer o preconceito e ocupar todos os espaços é o mais importante. Nessa perspectiva, o Centro Acadêmico do Curso Licenciatura em Educação do Campo da Ufersa, realiza o I Encontro LGBT da LEDOC e o Pré-Encontro LGBT da UNE. A abertura aconteceu nesta quinta-feira, 12, no Bloco de Aulas da LEDOC, alertou para o combate a homofobia, lesbofobia, biofobia e a transfobia. Durante todo o dia, alunos e professores vão discutir a realidade da população LGBT no campo.
O encontro, que traz o tema “Nós existimos e resistimos no campo e na cidade”, é mais uma ação para promover a visibilidade dos LGBTs no campo e na Universidade. “Ainda é grande o tabu relacionado com a questão e, no campo especificamente, a situação ainda é mais complicada”, afirmou a presidente do Centro Acadêmico do LEDOC, a estudante Josiele Melo.
A estudante que mantém um relacionamento homoafetivo reconhece que muitas pessoas só assumem a homossexualidade ao ingressar na universidade. “O acesso ao conhecimento e aos movimentos sociais, feministas e de classes possibilita a conscientização de sermos quem somos”, pontua, embora ela reconheça também que o espaço universitário ainda é conservador. “Não é raro os relatos de casos de homofobia vivenciados pelos estudantes”, afirmou Josiele.
Para a coordenadora da licenciatura Educação do Campo, a professora Kyara Vieira, o I Encontro LGBT da LEDOC amplia uma discussão que vem sendo realizada nos centos urbanos há mais de duas décadas e que precisa chegar às populações LGBTs que vivem no campo. “São pessoas que estão em todos os espaços e é fundamental reconhece-las. Com esse evento mais uma vez a UFERSA ratifica o seu papel social não apenas enquanto universidade, mas enquanto universidade rural” considerou.
A professora Kyara Vieira reconhece que a UFERSA procura criar ações e o diálogo com os movimentos sociais no enfretamento ao preconceito. Inclusive, com resolução que garante o uso do nome social para as pessoas transexuais.
UNE – O Encontro promovido pelos estudantes da Educação do Campo da UFERSA, antecede ao III Encontro de LGBT da União Nacional dos Estudantes que acontece no final do mês em Salvador, trazendo como tema “Nossas vidas importam: por mais democracia e um Brasil livre da homofobia”.
O momento na LEDOC também propicia uma Prévia para Encontro Nacional. Para o diretor da UNE, Júnior Florentino, que é estudante da licenciatura Educação do Campo, a Ufersa tem contribuído para a viabilização das ações afirmativas, citando, como exemplo, a CAADIS, o CDRH, o Coletivo de Bandeira (LGBT) e, o próprio curso da LEDOC que propiciam discussões sobre gênero, etnia, inclusão e justiça social.
Para Florentino as discussões sobre as questões LGBT na Ufersa tem como marco a realização do Encontro Nacional Universitário de Diversidade Sexual, ocorrido em dezembro de 2014. “A partir do ENUDS surgiram lideranças e a espaços para debater questões ligadas ao público LGBT”, considerou. Apesar de reconhecer alguns avanços, o preconceito ainda prevalece no ambiente, sendo o assédio sexual o mais presente. “Temos casos de assédios por parte de professores e servidores que são concluídos apenas com pedidos de desculpas”, afirmou. O estudante sugere, que a exemplo da Universidade Federal de Pernambuco, a Ufersa comece a pensar numa coordenação especifica para atender o publico LGBT, bem como direcionar um melhor atendimento a saúde mental dos estudantes.
O Brasil é o país que mais mata homossexuais no mundo, tendo sido registrados só nesse ano 47 mortes. A Região Nordeste aparece como a mais homofóbica e o Rio Grande do Norte ocupa a terceira posição nesse ranking.
Participe da pesquisa o Orgulho de ser quem somos nos levará além”, promovida pelo CDRH/UFERSA.

