Início do cabeçalho do portal da UFERSA

Comunicação

Parceria entre Ufersa e UFRN celebra os 20 anos do Prêmio Nobel de Literatura a José Saramago

Sem categoria 9 de maio de 2018. Visualizações: 1417. Última modificação: 09/05/2018 17:43:42

José Saramago, escritor português ganhador do Prêmio Nobel de Literatura, em 1998.

No dia 8 de outubro de 1998, a Real Academia Sueca comunicava ao mundo que José Saramago era o ganhador do Prêmio Nobel de Literatura naquele ano; descrevia a obra do escritor como “parábolas portadoras de imaginação, compaixão e ironia” capazes de tornar “constantemente compreensível uma realidade fugidia”. O acontecimento foi um dos marcos mais importantes para as literaturas de expressão portuguesa: pela primeira vez um autor dessa comunidade era reconhecido com um prêmio da envergadura do Nobel.

José Saramago vinha de uma família muito simples, de trabalhadores rurais do interior de Portugal, que fez sua obra muito tardiamente. Basta dizer que, quando muitos já aos cinquenta anos têm um projeto literário bem consolidado, ele ainda engatinhava. Não era, entretanto, uma criança qualquer: a obra tardou, mas nasceu forte o suficiente para ganhar grande reconhecimento pela crítica especializada e por leitores de dentro e fora de Portugal.

Em 2018, então, passam-se 20 anos de quando Saramago recebeu o Nobel. E para destacar essa data, recordar o ‘nascimento’ dessa obra de grande fôlego, comentar e discutir as várias criações do escritor que deixou vasta obra, pesquisadores de duas universidades potiguares assumem uma parceria e realizam o 1º Colóquio de Estudos Saramaguianos.

A ideia tem longa história. Remonta a 2014, aos bastidores de apresentação do primeiro número da Revista de Estudos Saramaguianos, em Lisboa. E, agora, a professora Socorro Veloso, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e o professor Pedro Fernandes, da Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA), dão forma ao projeto.

“A importância deste evento é a de estabelecer diálogos, propiciar o intercâmbio de experiências de leituras e perspectivas em vistas de contribuir para a tessitura de um momento fundamental na sobrevida do escritor – e igualmente para seus leitores, que encontram no seu universo ficcional e nas suas provocações, peças fundamentais para a postura de desassossegados ante esta realidade fugidia porque complexa e cujos meandros cobram de nós o necessário debate”, sublinha a carta de apresentação da iniciativa que se junta a um calendário internacional de eventos alusivos à data celebrada; os pesquisadores chamam a atenção para iniciativas do gênero em Coimbra, no mês de outubro, em Londres e Lisboa, no mês de novembro.

O colóquio quer compor um painel com vozes sobre as várias possibilidades de leituras e de leitores da obra de Saramago. “Buscamos, portanto, acrescentar compreensões na contínua ampliação das fronteiras do universo literário saramaguiano. Este é um evento aberto a refletir algumas das múltiplas facetas inscritas na biografia do autor: o cronista, o poeta, o jornalista, o romancista, o intelectual público, entre tantas e tão intensas tarefas que José Saramago assumiu ao longo dos seus 87 anos de vida”.

Este evento é realizado através das instituições as quais os professores Pedro Fernandes e Socorro Veloso estão vinculados – do Grupo de Estudos sobre o Romance, do Departamento de Linguagens e Ciências Humanas da Ufersa e do Departamento de Comunicação Social da UFRN, respectivamente; tem apoio do Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes (CCHLA) e da Revista de Estudos Saramaguianos. O colóquio acontece entre os dias 13 e 15 de junho, na UFRN, em Natal. A iniciativa soma-se a um calendário construído pelo grupo de pesquisa do qual Pedro é coordenador que realizou em 2017 outros dois eventos de importância no âmbito dos estudos literários – o Simpósio Mário Peixoto. A poesia que reside nas coisas, no Rio de Janeiro e o Sim, Clarice!, em Caraúbas.

A programação terá uma conferência com a renomada pesquisadora Teresa Cristina Cerdeira (Universidade Federal do Rio de Janeiro / Université Toulose II); “a professora foi uma das primeiras a publicar um estudo sobre a obra de José Saramago, o livro José Saramago entre a história e a ficção, ainda em 1989, quando ainda não se ventilava a possibilidade do escritor em receber o Nobel”, reforçam os organizadores. Este será, certamente um ponto alto do encontro que reunirá ainda mesas de discussão com estudiosos da obra de José Saramago de várias partes do Brasil e uma mostra de filmes, incluindo o premiado documentário José e Pilar (Miguel Gonçalves Mendes) e o longa Blindness, adaptação para o famoso livro Ensaio sobre a cegueira, realizada pelo cineasta brasileiro Fernando Meirelles.

Todas as informações no sítio do evento ou através do e-mail coloquiosaramaguianos@gmail.com