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Comunicação

Educação do Campo: Oportunidade para cursar universidade

Sem categoria 17 de maio de 2016. Visualizações: 5842. Última modificação: 18/05/2016 08:13:57
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Reitor José de Arimatea de matos abre I Semana Acadêmica da Licenciatura do Campo da Ufersa/Foto: Luana Laise

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Estudantes buscam qualificação profissional em educação do campo para atuarem na zona rural como professoras/Foto Eduardo Mendonça

Formado na sua maioria por estudantes que mantém vínculo com o campo, o Curso de Licenciatura em Educação do Campo, o Ledoc, da Universidade Federal Rural do Semi-Árido pode ser considerada à graduação mais inclusiva no âmbito das universidades brasileiras. Atualmente, são 42 licenciaturas espalhadas pelo país nessa modalidade.  Na Ufersa Mossoró, por exemplo, são 286 estudantes que optaram pela graduação com o objetivo de melhorar não apenas a vida pessoal com o ensino superior, mas, principalmente, a realidade nas comunidades.

Um exemplo são as jovens estudantes Usterlania Pereira, Talita Silva e Natália Souza que saíram de assentamentos para os bancos da universidade com a meta de buscar um futuro melhor como professoras do campo. As três estudantes, que já haviam tentado ingressar na universidade, mas não obtiveram sucesso, viram na Licenciatura Educação do Campo a oportunidade de cursar o ensino superior.

As colegas de turma, do primeiro período do Ledoc, estão participando da I Semana Acadêmica da Licenciatura Educação do Campo: Ciências Humanas, Sociais e da Natureza, aberta nesta terça-feira, 17, prosseguindo até a quinta-feira, 19, no Campus da Ufersa Mossoró, apresentando trabalho com fotografias sobre o desenvolvimento do turismo nos Lajedos de Soledade, em Apodi e, do Rosário, em Felipe Guerra.

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Samara retomou estudou após sete anos/Foto Eduardo Mendonça

“Quero trabalhar como professora de Educação do Campo, pois vejo que o ensino tradicional não explora a nossa realidade. Esse curso representa uma conquista e um diferencial grande em minha vida”, reconhece Usterlania Pereira de Sousa, moradora do Assentamento Tabuleiro Grande, em Apodi. Talita Gisllyane da Silva, do Assentamento São Romão, em Mossoró, integra o Coletivo de Juventude e Cultura do Movimento Sem Terra. “Para mim a Ledoc não representa apenas a formação como professora, mas a formação de multiplicadores de opiniões, quando temos a oportunidade de mudar o indivíduo pelo pensamento”, considerou. Já Natália Micaele de Sena Souza, moradora do Sítio Passagem Funda, em Apodi, a graduação representa a oportunidade de realizar o grande sonho de professora do campo. “Tomei conhecimento do curso por meio de um cartaz afixado na sede do Sindicato de Trabalhadores Rurais e, ao ser aprovado no vestibular, aproveitei a oportunidade com o objetivo de ser uma boa professora”, afirmou.

A Licenciatura em Educação do Campo também representa oportunidades para quem já havia perdido a esperança de ingressar na Universidade. Como é o caso de Maria Samara Cruz Rodrigues de Medeiros que há mais de sete anos havia concluído o ensino médio. “Não imaginava mais ingressar na universidade, as dificuldades são muitas, mas está sendo muito gratificante”, opinou a estudante que mora no Sítio Pereiros, no município de Upanema.

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Maneiro Pau, dança quilombola, abrilhantou a abertura da I Semana da Ledoc/Foto: Luana Laise

ABERTURA – A dança do “Maneiro Pau”, encenada pelo grupo de remanescente quilombola da Comunidade Sobrado, de Portalegre, abrilhantou a abertura da I Semana Acadêmica da Licenciatura Educação do Campo, curso de graduação da Ufersa, evento prestigiado pelo reitor, o professor José de Arimatea de Matos, que enalteceu a iniciativa. “Temos uma graduação com representantes de todas as classes sociais e que faz a diferença pelo caráter inclusivo”, disse o professor José de Arimatea ao dá boas vindas aos participantes da I Semana Acadêmica da Ledoc.

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Professora Kyara, coordenadora da I Semana da Ledoc

A programação, que prossegue até a próxima quinta-feira, 19, reúne trabalhos acadêmicos, mesas redondas, palestras, além de apresentações artísticas e culturais, promovendo a integração das diversas disciplinas ministradas na graduação.

A I Semana da Ledoc conta ainda com um Salão de Exposição no Auditório da Biblioteca Orlando Teixeira, onde estão expostos trabalhos dos discentes do 2ºperíodo, sob a orientação dos professores Ady Canário e Emerson Augusto. O salão foi organizado com o tema: Campo, trabalho e educação. A exposição conta com fotografias, maquetes, banners, mostra de objetos, e produtos associados às atividades do trabalho no campo, além de apresentações teatrais.

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Salão de Exposição no Auditório da Biblioteca Orlando Teixeira/Foto: Manuela Aguiar

A proposta, segundo a professora Kyara Maria Vieira, coordenadora da Semana, partiu da iniciativa dos alunos para uma maior visibilidade das ações desenvolvidas na licenciatura. “São estudantes que trazem experiência de exclusão e que hoje se destacam como protagonistas de suas ações no âmbito universitário”, afirmou Kyara Vieira.

Um exemplo é o estudante Francisco Bezerra, que representou os discentes na mesa de abertura. “Somos operário em construção e, na Ledoc descobri o que quero ser, e, principalmente, o que não quero ser”, afirmou. Para Francisco Bezerra, “cabe a cada sujeito construir um mundo melhor e as pessoas do campo são fundamentais nesse processo”, considerou. A abertura da I Semana do Ledoc contou ainda com a palestra do professor, Faustino Tatino Cavalcante Neto, da Universidade Federal de Campina Grande, do Campus Sumé, que abordou o tema Ciências humanas e sociais: diálogos com a licenciatura em educação do campo.

GRADUAÇÃO – O Curso de Licenciatura em Educação do Campo foi aprovado através de Edital do Ministério da Educação que, por intermédio da Secretaria de Educação Superior – SESU, Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica – SETEC e Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão – SECADI. A criação do curso na Ufersa é uma medida política inovadora com significativo caráter social. Insere–se no plano de expansão da matrícula do ensino de graduação, principalmente, fundamentada nos princípios da autonomia universitária, da flexibilização curricular, da qualidade acadêmica de sua oferta e na tese corrente da inclusão social.

O curso pretende conferir o Diploma na Modalidade de Licenciatura em Educação do Campo com habilitação para docência multidisciplinar nos anos finais do Ensino Fundamental e Médio, mais especificamente, com as seguintes habilitações (à escolha do/da aluno/a): Ciências Humanas e Sociais; Ciências da Natureza.

Segundo o coordenador da Ledoc, professor Luiz Gomes, a licenciatura é a única da Ufersa que não tem ingresso por meio do Enem/Sisu, sendo utilizado o acesso por meio do vestibular, sendo exigido do aluno algum vínculo com o campo, através da escola, igreja, sindicatos, cooperativas, associações, assentamentos, entre outros. A modalidade do curso é presencial com atividades alternadas em sala de aula e nas comunidades rurais. O professor adiantou que no próximo mês de julho a Ufersa estará lançando edital para ingresso de novas turmas.